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Turquia está “completamente desligada da realidade”, acusa Donald Tusk

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk

VALENTYN OGIRENKO/REUTERS

Presidente do Conselho Europeu quebra silêncio após Recep Tayyip Erdogan ter comparado a Holanda à Alemanha nazi, por ter impedido que os seus ministros participassem num comício com a comunidade turca em Roterdão

A comparação feita por Recep Tayyip Erdogan de que a Holanda é igual à Alemanha nazi está "completamente desligada da realidade", acusou esta quarta-feira o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. As acusações de "nazismo" às autoridades holandesas foram tecidas pelo Presidente turco durante o fim de semana, depois de dois ministros do seu governo AKP terem sido impedidos de viajar até Roterdão para participarem num comício de campanha com imigrantes que vivem naquela cidade holandesa, a um mês de um importante referendo que poderá alterar o sistema político vigente na Turquia.

"Roterdão, a cidade de Erasmus, foi totalmente destruída pelos nazis e agora tem um autarca que nasceu em Marrocos; se alguém vê fascismo em Roterdão está completamente desligado da realidade", acusou esta manhã Tusk na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo.

No início da semana, o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker já tinha reagido oficialmente à comparação feita por Erdogan, quando declarou aos eurodeputados que estava "escandalizado" com os comentários do líder turco, referindo que estes afastam ainda mais os turcos do bloco europeu ao qual o país pediu para aderir pela primeira vez em 1987.

No sábado, o avião que transportava o ministro turco dos Negócios Estrangeiros foi impedido de aterrar no aeroporto de Roterdão, após as autoridades locais terem cancelado o evento de campanha do AKP junto da comunidade turca em preparação do referendo de 16 de abril, no qual a população do país e os eleitores emigrados serão questionados sobre se querem a instauração de um regime presidencialista na Turquia – um passo que, para os críticos do governo de Erdogan, serve para cimentar o pode de um homem que tem sido acusado de autoritarismo, censura e violações de direitos humanos.

No dia seguinte, também a ministra turca para os Assuntos Familiares foi impedida de entrar na Holanda, de carro, vinda da Alemanha, com as autoridades a citarem "riscos para a ordem pública e a segurança".

Ao longo da última semana, várias cidades da Holanda, Alemanha, Áustria e Suíça canceçaram eventos de campanha semelhantes, uma decisão que não agradou a Erdogan. O Presidente está investido em atrair os cerca de 2,8 milhões de turcos que vivem no continente europeu a votarem "sim" na consulta popular de abril e lançou-se em ataques contra a Holanda e a Alemanha, que esta terça-feira acusou de estar a "apoiar terroristas" e que, em fevereiro, já tinha acusado de tentativa de interferência na consulta popular turca.

O braço de ferro entre a Turquia e os aliados europeus da NATO surgiu a poucos dias das antecipadas legislativas holandesas, marcadas para esta quarta-feira. Hoje, a população dos Países Baixos está a ir às urnas para escolher o seu próximo governo e a composição do Parlamento, com as sondagens a anteverem um bom resultado para o partido de extrema-direita liderado por Geert Wilders.