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De olhos postos na Holanda. O que esperar das legislativas dominadas pelo controverso Geert Wilders

YVES HERMAN/GETTY

Corrida está a ser disputada pelo partido conservador do primeiro-ministro Mark Rutte e pelo Partido da Liberdade (PVV), extrema-direita anti-imigração e anti-Islão, cujo líder promete retirar o país da UE, encerrar mesquitas e banir o Corão. É improvável que Wilders se torne primeiro-ministro mesmo que o seu partido fique em primeiro lugar, sobretudo porque há 28 partidos a disputar assentos no parlamento e todos se recusam a integrar uma coligação com o PVV. A potencial vitória da extrema-direita no país será mais nociva para o resto da União Europeia, a poucas semanas das presidenciais em França e a meio ano das eleições federais na Alemanha

Cerca de 13 milhões de eleitores holandeses são chamados esta quarta-feira às urnas para escolherem o seu próximo governo e a composição do Parlamento, naquele que é o primeiro de três importantes plebiscitos convocados para este ano em países da União Europeia e da Zona Euro. A corrida está a ser dominada pelo partido no poder, o VVD (centro-direita), liderado pelo primeiro-ministro Mark Rutte, e pelo Partido da Liberdade (PVV), a extrema-direita anti-imigração e anti-Islão, que é liderado pelo nacionalista populista Geert Wilders.

Há 28 partidos a disputar os 150 assentos parlamentares. Os resultados provisórios deverão ser anunciados entre as 5h e as 6h da manhã (menos uma hora em Lisboa) desta quinta-feira.

Durante a campanha, Rutte sublinhou que estas legislativas são uma oportunidade sem igual para os eleitores "derrotarem o tipo errado de populismo" representado por Wilders, um homem que não há muito tempo foi julgado por ter classificado a comunidade de marroquinos que vive no país como "escumalha". Por seu lado, o líder do PVV tem tentado atrair eleitores com promessas controversas como tirar a Holanda da União Europeia, ordenar o encerramento de todas as mesquitas existentes na Holanda e banir o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Durante várias semanas, o PVV esteve a liderar as sondagens de opinião de forma consistente. Mas no fim de semana, um novo inquérito de opinião levado a cabo antes da escalada de tensões entre a Holanda e a Turquia, que está a ensombrar a reta final para estas eleições, colocava o VVD à frente e apontava um aumento de 3% do apoio popular ao Partido d'Os Verdes (Groenlinks), o que a confirmar-se vai colocar os ecologistas empatados no segundo lugar com o PVV, cada um com 20% dos votos, contra 24% para o partido no poder.

Damian Grammaticas, correspondente da BBC em Haia, aponta que apesar de os populistas guiados por Wilders ainda poderem vencer as eleições, existem fortes possibilidades de outros partidos lhes roubarem votos e deixarem a política holandesa ainda mais fragmentada. Dado que os assentos parlamentares na Holanda são alocados na exata proporção dos votos alcançados por cada partido e que nenhum movimento político quer integrar uma coligação com a extrema-direita, é improvável que Wilders consiga formar governo mesmo que o seu partido fique em primeiro lugar no plebiscito.

Ainda assim, uma potencial vitória do PVV não é um bom augúrio num ano em que também França e Alemanha têm eleições importantes para a UE no rescaldo do Brexit e da eleição do populista Donald Trump nos Estados Unidos. A 23 de abril, os eleitores franceses são chamados a eleger o seu próximo Presidente, que no país é também chefe do governo, e as sondagens continuam a antever que Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional (extrema-direita), vai conseguir apurar-se para a segunda volta, que será disputada em maio.

Em setembro, será a vez de os alemães escolherem o seu próximo governo. Angela Merkel é candidata a um quarto mandato consecutivo nas eleições federais e, neste momento, existem receios de que o partido Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita), para já sem qualquer assento no Bundestag, saia reforçado por causa da profunda divisão do eleitorado entre a União Democrata-Cristã (CDU, conservadores) da chanceler e o Partido Social Democrata (SPD) de Martin Schulz.