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Internacional

Steve Bannon alvo de investigação criminal na Florida por alegada fraude eleitoral

Mario Tama

Notícia foi avançada pelo “Washington Post” num extenso perfil sobre o controverso conselheiro do Presidente Donald Trump, ligado à extrema-direita americana

Quando Donald Trump achava que ia perder as eleições presidenciais de novembro, o agora Presidente dos Estados Unidos sugeriu que havia milhões de imigrantes clandestinos ilegalmente registados para votar e que, se a sua rival democrata, Hillary Clinton, vencesse, isso ia dever-se à fraude eleitoral. Os media foram apanhados de surpresa quando, já depois de ter sido ele a vencer e depois da sua tomada de posse, Trump voltou a sugerir que houve uma fraude eleitoral a uma escala massiva, sem apresentar quaisquer provas que sustentem essa acusação.

As autoridades federais não acreditam que tal tenha acontecido, mas isso não demoveu a administração Trump, que ordenou entretanto uma investigação ao caso. Quem, afinal, parece ter cometido fraude eleitoral é Steve Bannon, conselheiro do Presidente e chefe de estratégias da Casa Branca, segundo informações avançadas ao "Washington Post" por fontes da procuradoria do condado de Miami, na Florida.

Num extenso perfil sobre a controversa figura da "direita alternativa", como a extrema-direita norte-americana se intitula, o jornal noticiou no sábado que Bannon está "sob investigação criminal" após ter-se registado para votar com uma morada de uma casa em Miami que está vazia há anos e que já tem demolição prevista. Bannon nunca terá vivido nessa residência, que teria arrendado para a ex-mulher, Diane Clohesy, mas mesmo assim disse ao senhorio que vivia ali e que o facto de não estar lá se devia às viagens regulares para Nova Iorque e Washington DC.

A legislação em vigor na Florida prevê penas de até cinco anos de prisão para qualquer cidadão que preste falsos testemunhos sobre o seu local de residência. À data do seu registo como eleitor daquele estado, Bannon garantiu às autoridades eleitorais que vivia em Miami apesar de nunca ter sido avistado pelos vizinhos. Bannon, que também está registado como eleitor em Nova Iorque, nunca chegou a votar na Florida pelo que as possibilidades de vir a ser formalmente acusado e julgado são reduzidas. Como nota o "Miami Herald", apesar de a expressão "investigação criminal ativa" sugerir que as autoridades locais estão a levar a sério as suspeitas de fraude eleitoral, "os procuradores [do estado] são famosos pela lentidão no encerramento de investigações que não levam a lado nenhum. E, seis meses depois [da abertura do inquérito], parece haver pouco conteúdo no caso Bannon".

O que ganha mais destaque no perfil que o "Washington Post" traçou do ex-CEO do Breitbart News, o site mais popular da extrema-direita, são pormenores bizarros sobre a tal residência, pela qual Bannon pagava uma renda mensal de 5500 dólares (cerca de 5168 euros) para que a sua terceira ex-mulher pudesse lá viver. Gente da vizinhança consultada pelo jornal diz que Bannon nunca foi avistado na propriedade, que durante algum tempo foi palco de incidentes estranhos com laivos de filme de terror. Entre as histórias contadas pelos vizinhos contam-se visitas estranhas à residência, barulhos estranhos e ensurdecedores oriundos dela a altas horas da noite, relatórios policiais sobre ex-namorados que perseguiram Clohesy ali e danos no valor de dezenas de milhares de dólares denunciados pelo senhorio — como portas arrancadas e um jacuzi que, diz o dono da casa, parece ter sido totalmente destruído com "ácido".