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Holanda. Debate tenso antes das eleições de quarta-feira

YVES HERMAN/GETTY

O líder do PVV defendeu que a saída dos Países Baixos da União Europeia seria “a melhor coisa que poderia acontecer”, enquanto o primeiro-ministro holandês disse que um “Nexit” criaria o caos no país

Dois dias antes das eleições legislativas, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, centro-direita) e Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade (PVV, extrema-direita), tiveram esta segunda-feira o primeiro frente a frente na televisão. Um debate aceso que ficou marcado por várias acusações e troca de palavras, em que a imigração e a Turquia foram temas centrais ao longo de meia hora.

Wilders insistiu que é vital que a Holanda encerre as suas fronteiras, feche as mesquitas e proíba o Corão, acusando o primeiro-ministro de estar a ser refém de Erdogan. O líder do partido anti-islão apelou ainda à expulsão do embaixador turco no país. Rutte contrapôs, afirmando que essa é uma “solução falsa” para a imigração e o terrorismo.

O líder do PVV sustentou ainda que a saída dos Países Baixos da União Europeia seria “a melhor coisa que poderia acontecer”, enquanto Rutte frisou que um “Nexit” custaria 1,5 milhões de empregos e criaria o caos no país.

“Você sabe o que isso irá custar? O Reino Unido está agora em caos, por causa do Brexit. Não faça isso. Esta é a diferença entre tweetar a partir do sofá e correr o país. Se for escolhido para governar terá que tomar decisões sensatas”, declarou o primeiro-ministro holandês, citado pela Al-Jazeera.

Questionado sobre uma eventual coligação com o PVV, o chefe do governo holandês respondeu com um rotundo não: “Não, isso nunca. Não é possível qualquer cooperação”, disse Rutte.

Antes de começar o debate, Mark Rutte disse esperar que a Holanda seja o primeiro país a travar o populismo na Europa. “Podemos dizer que estas eleições são os quartos de final para tentar travar a vitória do mau populismo. As semifinais são em França em abril e maio e depois a final é na Alemanha em setembro”, afirmou o primeiro-ministro holandês.

Desde o fim de semana, a Holanda e a Turquia estão a viver uma crise diplomática depois de as autoridades holandesas terem proibido a entrada no país do ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, que ia participar este sábado num comício com emigrantes turcos e turco-holandeses, em Roterdão.

Embora várias sondagens indicassem uma aproximação entre o VVD e PVV, o último inquérito dá ligeira vantagem ao partido de Mark Rutte nas intenções de voto. O VVD poderia conquistar entre 23 a 27 dos 150 lugares no Parlamento.