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Casa Branca tenta moderar acusação de escutas feita por Trump a Obama

SHAWN THEW/EPA

Presidente estava a referir-se à “vigilância abrangente e a outras medidas” e não estava a acusar diretamente o antecessor, alega o porta-voz Sean Spicer

As alegações não fundamentadas de que Barack Obama ordenou escutas a Donald Trump durante a campanha presidencial norte-americana não são para ser entendidas literalmente, disse na segunda-feira o porta-voz da Casa Branca. Em conferência de imprensa, Sean Spicer explicou que o Presidente se referia a "vigilância abrangente e a outras medidas" quando, há uma semana, acusou o antecessor no Twitter de ter ordenado escutas ilegais à sua torre Trump em outubro, um mês antes das eleições que deram a vitória ao candidato republicano. Spicer também sugeriu que o atual líder norte-americano não estava a acusar especificamente Obama, apesar de na sequência de tweets Trump fazer referências diretas a Obama.

A garantia foi feita esta segunda-feira, horas depois de uma das conselheiras de Donald Trump, Kellyanne Conway, ter tentado justificar as alegações do Presidente na televisão com argumentos ainda mais deslocados sobre Obama ter escutado Trump através dos aparelhos microondas. O senador republicano John McCain já pediu a Trump que apresente provas para sustentar as acusações, dizendo que se não as tiver deve retirá-las publicamente. Entretanto, o Departamento de Justiça pediu mais tempo para fornecer informações sobre o caso ao Congresso.

A comissão da Câmara dos Representantes responsável por investigar as acusações de enorme gravidade tinha definido segunda-feira como o prazo para que o Ministério da Justiça, liderado por Jeff Sessions, apresentasse provas de que as alegações feitas por Trump são parcial ou totalmente fundamentadas, mas esta segunda-feira uma porta-voz disse que os funcionários precisam de "mais tempo para determinar se existe qualquer documento" que comprove que as escutas foram ordenadas. Os membros da comissão deram ao Departamento até 20 de março para responder formalmente ao pedido.

Nos tweets, Trump disse que no início deste mês que acabou de descobrir que "Obama instalou escutas na Torre Trump mesmo antes da vitória" e questionou se "é legal que um Presidente ordene escutas a uma corrida presidencial?" Apesar dos pedidos repetidos por vários legisladores, a Casa Branca ainda não forneceu quaisquer provas disto, pedindo em vez disso ao Congresso que investigue essas alegadas ordens de Obama como parte da investigação aberta à ingerência da Rússia no processo eleitoral norte-americano.

Um porta-voz de Obama já garantiu que a acusação é "simplesmente falsa", uma garantia feita também pelo ex-diretor das agências de espionagem, James Clapper.

"O Presidente usou a palavra 'escutas' para se referir a vigilância abrangente e a outras atividades", defendeu na segunda-feira Spicer aos jornalistas. "Existe toda uma panóplia de táticas que podem ser usadas para monitorizar alguém ou através de escutas ou através de outros meios", sugeriu, sem apresentar mais detalhes. Na conferência de imprensa, o porta-voz da Casa Branca também sugeriu que Trump estava a referir-se a ações da administração Obama e não a acusar diretamente o ex-Presidente.