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Internacional

ONU alerta: há mais de 20 milhões de pessoas a morrer à fome em quatro países

MOHAMED ABDIWAHAB/GETTY IMAGES

A Organização das Nações Unidas, liderada por António Guterres, fez as contas e diz que só para estes países – Iémen, Sudão do Sul, Somália e Nigéria – são precisos 4,4 mil milhões de euros até julho para controlar a situação

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Há mais de 20 milhões de pessoas em apenas quatro países — Iémen, Sudão do Sul, Somália e Nigéria — em risco de morrer à fome, alertou este fim-de-semana a Organização das Nações Unidas (ONU), que caracteriza a situação como a pior crise humanitária desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

De acordo com o vice-secretário-geral para os Assuntos Humanitários, Stephen O'Brien, a situação mais preocupante é no Iémen, onde mais de sete milhões de pessoas estão a passar fome sem saberem quando será a sua próxima refeição.

O Sudão do Sul é o país que se segue, referiu O'Brien em declarações à Associated Press, citadas pelo "The Guardian". Só ali haverá pelo menos um milhão de crianças a sofrer de mal nutrição e destas, cerca de 270 mil estão em risco iminente de morte se não receberem ajuda rapidamente.

Já na Somália existem atualmente 2,9 milhões de pessoas em risco de morrer à fome. Destas cerca de um milhão serão crianças no final deste ano.

Na Nigéria, apesar de não haver números mais concretos, os casos de má nutrição serão tão graves que há adultos que já não têm forças para andar e há comunidades que já perderam todas as suas crianças.

A situação pede, por isso, uma rápida e urgente injecção de fundos, mais precisamente de 4,4 mil milhões de dólares até julho, alertou O'Brien. Aliás, foi isso que foi pedir ao Conselho de Segurança da ONU em Nova Iorque, na passada sexta-feira, onde anunciou também que o secretário-geral da organização, António Guterres, vai liderar uma conferência em Genebra para angariar fundos para o Iémen.

Para a ONU, é considerado que existe uma crise de fome num dado país quando mais de 30% das crianças com menos de cinco anos sofrem de má-nutrição aguda e quando a taxa de mortalidade relacionada com a falta de acesso a alimentos é de duas ou mais mortes por cada 10 mil pessoas numa base diária.