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Internacional

Militantes do Daesh que ainda estão em Mossul “vão ser mortos”

AHMAD AL-RUBAYE

Enviado especial dos EUA para a coligação de combate ao autoproclamado Estado Isâmico diz que última rota de e para a cidade iraquiana já está sob controlo das forças internacionais e que os jiadistas que resistem no último bastião do grupo no país estão encurralados

Os militantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) que resistem na cidade iraquiana de Mossul "vão ser mortos" pelas forças da coligação, numa altura em que estas já detêm o controlo da última rota de e para a cidade, diz o enviado especial da ONU para a coordenação da ofensiva. Brett McGurck, o advogado que Barack Obama nomeou em 2013 enviado especial para a coligação de combate ao Daesh no Iraque e na Síria, fez o aviso depois de as forças leais ao governo iraquiano terem obtido o controlo da última estrada que liga à cidade, encurralando os jiadistas no centro urbano.

Aquela que é a segunda maior cidade do Iraque foi tomada pelo Daesh em 2014 mas, nos últimos meses, as forças iraquianas têm conseguido avançar no terreno com o apoio de bombardeamentos aéreos da coligação, retomando o controlo de grandes áreas ao redor da cidade numa ofensiva que, segundo várias fontes, está agora a aproximar-se do fim. Mossul é tido como o último bastião urbano do grupo radical no Iraque. A parte oriental da cidade já está sob controlo das forças iraquianas e a última fase da ofensiva, iniciada a 5 de março, já obrigou os extremistas a baterem em retirada de zonas fulcrais do oeste, incluindo da área que alberga a sede do governo local e o famoso Museu de Mossul.

Os combates intensificaram-se durante o fim de semana, com McGurk a dizer aos jornalistas em Bagdade, este domingo, que "só na noite passada [de sábado] a 9.ª divisão do Exército do Iraque conseguiu cortar a última rota" de e para a cidade. "Quaisquer combatentes que continuem em Mossul vão morrer ali, porque estão encurralados. Estamos muito empenhados não só em derrotá-los em Mossul, mas em garantir que estes tipos não conseguem escapar."

Este domingo, o major-general Maan al-Saadi, que lidera a unidade de elite de combate ao terrorismo do Exército iraquiano, disse que as forças do governo já controlam "mais de um terço" da parte ocidental de Mossul. O responsável militar acredita que os combates para reaver o controlo da última zona dominada pelo Daesh vão ser mais fáceis do que no leste, onde as forças levaram 100 dias até conseguirem concluir a ofensiva iniciada em outubro; essa parte da cidade foi reconquistada em janeiro. Contudo, a polícia federal iraquiana e as unidades de resposta rápida antecipam combates difíceis na área de Bab al-Tob, a cidade antiga de Mossul, por causa das ruas estreitas que impedem a passagem de veículos blindados.

Aos jornalistas, o porta-voz do Comando de Operações Conjuntas do Iraque, o brigadeiro-general Yahya Rasool, disse este domingo que o Daesh está a ficar enfraquecido na sequência das lutas pelo controlo de Mossul. Mas, apontou, "a batalha não é fácil, estamos a lutar contra um inimigo irregular que está escondido entre os cidadãos e que usa táticas como instalar armadilhas e recorrer a explosões e a bombistas-suicidas. A operação está a decorrer com a máxima precisão para preservar as vidas dos cidadãos."

Neste momento, crê-se que há pelo menos 600 mil civis ainda encurralados nas áreas de Mossul sob controlo do Daesh. As declarações dos responsáveis militares surgiram um dia depois de as forças iraquianas terem anunciado a descoberta de uma "vala comum de proporções massivas" perto da cidade com os restos mortais de centenas de "prisioneiros civis que foram executados por gangues [do grupo radical] após terem assumido o controlo da prisão [de Mossul] durante a ocupação" da cidade.