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Mais de 10% das empresas interessadas em construir muro na fronteira com o México são hispânicas

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O “The Guardian” analisou as origens das 600 empresas que levantaram o caderno de encargos para a construção do muro prometido por Donald Trump e apurou que 62 são hispano-americanas. Para elas, não se trata de política mas sim de trabalho

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Mais de 10% das 600 empresas interessadas na construção do muro que o Presidente dos EUA Donald Trump quer erguer na fronteira com o México são detidas por hispânicos.

A notícia foi avançada pelo "The Guardian", que analisou a lista das empresas que se registaram a 24 de fevereiro para tentarem conseguir um contrato com a administração; dessas, 62 são hispano-americanas. O jornal britânico entrou em contacto com algumas delas para tentar perceber o que as levou a levantar o caderno de encargos. E a resposta não podia ser mais simples: arranjar trabalho para pagar aos empregados.

"Penso que o muro é uma desperdício de tempo e dinheiro. Por razões ambientais, é estúpido. De um ponto de vista económico, é estúpido. Mas defendo o direito das pessoas a serem estúpidas. Se queres construir um muro, então vou construir o melhor muro que posso e vou pagar aos meus empregados", defende Patrick Baltazar, dono da San Diego Project Management, uma empresa de Porto Rico. "A Lady Gaga usa coisas muito loucas em palco, mas quando vai ao alfaiate pedir para as fazer eles não dizem 'isso é horrível'."

Jorge Diaz, gerente da De La Fuente Construction, partilha da mesma opinião. "Não estamos na política. Não somos de direita ou de esquerda. Somos uma empresa de construção e é a construir que sobrevivemos. Não vemos isto como política. Vemos isto como trabalho", justifica.

Para algumas, caso da empresa Evangelista-Yasasaga, em que 80% dos empregados são mexicanos, a decisão de concorrer à obra exigiu um "exercício de consciência".

As justificações podem ser válidas para os donos das empresas, mas para o defensor dos direitos dos imigrantes no estado do Arizona, Margarito Blancos, o facto de estas empresas se envolverem na construção do muro só "aprofunda a divisão que já existe entre aqueles que estão cá [nos EUA] e os que estão à procura de uma vida melhor" e que, por isso, partem para o país, comenta ao "The Guardian".

Esta é, contudo, uma fase muito preliminar do concurso. Primeiro porque a notificação ainda só pede a construção de paredes de betão com pouco mais de nove metros de altura. E porque, segundo a Reuters, a administração Trump só tem, neste momento, cerca de 20 milhões de dólares [18,7 milhões de euros] disponíveis para construir o muro, quando estimativas oficiais apontam para a necessidade de cerca de 21 mil milhões de dólares [19,7 mil milhões de euros] para investir na infraestrutura.