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Carlos, o Chacal, volta a sentar-se no banco dos réus em Paris

Ilich Ramirez Sanchez, venezuelano agora com 67 anos, aqui fotografado em 2004

THOMAS COEX

Novo julgamento de um dos mais famosos terroristas políticos das décadas de 1970 e 1980 começa esta segunda-feira; em causa está um ataque a um centro comercial da capital francesa em 1974. O venezulano de 67 anos, capturado no Sudão em 1994, já está a cumprir duas penas de prisão perpétua pela série de atentados executados em França em defesa de causas comunistas e pela libertação da Palestina

Aquele que é um dos venezuelanos mais famosos de sempre, batizado de Carlos, o Chacal, volta esta segunda-feira ao banco dos réus em França para ser julgado por um ataque contra um centro comercial de Paris, em setembro de 1974, que provocou dois mortos e 34 feridos. Ilich Ramirez Sanchez, agora com 67 anos, já está a cumprir duas penas de prisão perpétua por uma série de atentados que executou em França na década de 1980; se os três juízes o declararem culpado, poderá ser condenado a uma terceira pena de prisão perpétua.

Sanchez foi batizado Carlos, o Chacal quando era um dos suspeitos de terrorismo mais procurados do mundo, com os jornalistas a irem buscar o nome ao protagonista de "O dia do Chacal", um romance de 1971, da autoria de Frederik Forsyth, que seria adaptado ao cinema em 1973. Durante mais de 20 anos, o venezuelano que é um dos mais famosos terroristas políticos do século passado executou uma série de ataques em França e no Reino Unido, em nome de ideais comunistas e pelo fim da ocupação da Palestina por Israel, depois de, aos 24 anos, se ter juntado às fileiras da Organização Popular pela Libertação da Palestina (OPLP).

Pouco tempo depois disso executava o seu primeiro ataque, um que teve como alvo Joseph Edward Sieff, à data presidente-executivo da cadeia Marks & Spencer. Sieff, de origem judaica, foi baleado na cabeça em Londres a 30 de dezembro de 1973 mas resistiu aos ferimentos. Depois disso, o venezuelano autointitulado "revolucionário profissional" esteve por trás de uma série de ataques em França. Seria capturado na capital do Sudão em 1994 por uma unidade de elite da polícia francesa, 20 anos depois do primeiro dos quatro atentados em Marselha e em Paris pelos quais seria julgado e condenado, que resultaram num total de 11 mortos e 150 feridos.

O novo julgamento tem por base uma confissão que terá feito há alguns anos numa entrevista, que desmentiria logo a seguir, na qual terá assumido que atacou um centro comercial do chamado Quartier Latin de Paris em 1974 para pressionar o governo francês a libertar um militante comunista japonês. Sanchez garante estar inocente e a sua advogada, Isabelle Countant-Peyre, sublinha que este julgamento é uma perda de tempo e de dinheiro. "Qual é exatamente o propósito de fazer este julgamento, tanto tempo depois dos eventos?"

Para Georges Holleaux, um advogado que representa as vítimas do ataque de há 42 anos, o julgamento serve, no mínimo, para que as famílias possam encontrar algum alento face a esse capítulo negro das suas vidas. "As vítimas estão há muito tempo à espera que Ramirez seja julgado e condenado. As suas feridas nunca sararam."