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Internacional

2016 foi o pior ano para as crianças da Síria desde o início da guerra

UYGAR ONDER SIMSEK

No ano passado, a violência do conflito teve um impacto “sem precedentes” sobre os menores sírios desde que a guerra civil estalou em março de 2011, diz a UNICEF. Pelo menos 652 crianças perderam a vida entre janeiro e dezembro, 255 delas dentro ou perto de escolas, um aumento de 20% em relação ao número de crianças que foram colhidas pela guerra em 2015

A situação das crianças sírias "bateu no fundo" em 2016, com o número de menores mortos na guerra civil a atingir um "nível sem precedentes" desde que o conflito estalou em março de 2011. De acordo com a UNICEF, no ano passado pelo menos 652 crianças morreram, 255 delas dentro ou perto de escolas — um aumento de 20% em relação ao número de crianças que perderam a vida na guerra em 2015. Os números só se referem a mortes formalmente confirmadas, o que quer dizer que poderão ser muito superiores.

Esta segunda-feira, a agência da ONU para as crianças disse ainda, com base em cálculos recentes, que pelo menos 850 menores terão sido recrutados para lutar contra ou a favor do governo de Bashar al-Assad entre janeiro e dezembro de 2016, o dobro do número registado no ano anterior. Muitas das crianças-soldado foram enviadas para a linha da frente nos combates ou, em casos mais extremos, usadas como carrascos, bombistas suicidas e guardas prisionais — à semelhança do que tem estado a acontecer noutras zonas de conflito, como avançou a Human Rights Watch em julho.

"O nível de sofrimento [das crianças sírias] não tem precedentes", sublinhou Geert Cappelaere, diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente e o Norte de África, numa conferência de imprensa a partir de Homs, um dos principais focos do conflito. "Milhões de crianças da Síria estão sob ataque numa base diária, as suas vidas viradas do avesso." Neste momento, há seis milhões de crianças a depender de ajuda humanitária por causa da guerra.

Desde o início do conflito, que esta semana entra no sétimo ano consecutivo, cerca de 2,3 milhões de menores já terão fugido da Síria. Segundo a UNICEF, os mais vulneráveis, cerca de 2,8 milhões, estão encurralados em áreas de difícil acesso e pelo menos 280 mil estão a viver sob cerco. "Cada criança síria está marcada para a vida [por esta guerra], com consequências horrendas para a sua saúde, bem-estar e futuro", refere Cappelaere.

Na semana passada, a organização sem fins lucrativos Save the Children já tinha avisado que há milhões de crianças sírias a viver em "stresse tóxico" como resultado do conflito, temendo-se que para muitas esse estado se torne irreversível se não receberem ajuda imediata. De acordo com cálculos da ONG, dois terços das crianças do país já foram diretamente afetadas pela guerra — ou perderam entes queridos, ou ficaram feridas ou ficaram sem casa na sequência de bombardeamentos.