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Presidente turco diz que Holanda agiu como uma “república das bananas” e promete retaliar

Sean Gallup/Getty Images

Recep Tayyip Erdogan disse este domingo que a Holanda pagará o preço por ter impedido o ministro dos Negócios Estrangeiros de entrar no país e de ter detido e expulsado a ministra dos Assuntos Familiares. E voltou a qualificar estes atos de nazis e fascistas

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, garantiu este domingo que a Holanda irá sofrer sanções depois de, no sábado, ter impedido o ministro dos Negócios Estrangeiros de entrar no país e ainda por ter detido e expulsado a ministra dos Assuntos Familares. Actos que Erdogan diz serem tpícos de "uma república das bananas".

"Eles vão certamente pagar o preço e vão também aprender o que é a diplomacia. Nós vamos ensinar-lhes o que é diplomacia internacional", disse num discurso uma entrega de prémios em Istambul, acusando novamente o governo holandês de ser nazi e fascista. "Pensei que o nazismo tivesse acabado, mas estava engando. O Nazismo está vivo no Ocidente", disse.

Também o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, disse que haverá retaliações aos atos da Holanda, até porque considera que, no cado da detenção e expulsão da ministra dos Assuntos Familiares, Fatma Betul Sayan Kaya, foi violada a imunidade diplomática.

E o ministro dos Negócios Estangeiros, Mevlut Cavusoglu, disse mesmo que se tratava de uma violação da Convenção de Viena. "O nosso encarregado de negócios consular e a nossa ministra não puderam entrar no seu próprio consulado. Além disso, o cônsul, que estava lá dentro, não pôde sair, não lhe deram autorização. Isto é uma violação total da Convenção de Viena", referiu, acrescentando aindas que os atos da Holanda constituem "racismo".

"São xenofobia, hostilidade contra o islão, violação da democracia, violação das liberdades", disse à agência semipública turca Anadolu após um encontro de cidadãos turcos residentes em Mewtz, a cidade francesa que acolheu Cavusoglu depois da Holanda ter recusado a sua entrada.

Para o Governo holandês, que já se pronunciou sobre os acontecimentos de sábado, o objetivo é agora "acalmar a tensão". Até porque chegaram mesmo a originar motins e confrontos violentos entre os manifestantes, na sua maioria imigrantes turcos, e a polícia de Roderdão. Era para esta cidade holadesa que os dois ministros se dirigiam para discursar numa campanha de apoio ao referendo de 16 de abril na Turquia.

Contudo, a Holanda já avisou que os turcos têm de moderar a sua atitude, nomedamente nas acusações de serem nazis. "Queremos reduzir [a crise], mas se os turcos insistem em agudizar a tensão, responderemos adequadamente", disse o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

O governante disse que, na noite de sábado, "falou oito vezes por telefone" com o seu homólogo turco, mas segundo um comunicado do Governo enviado já na madrugada de domingo, não foi possível chegar a "uma solução razoável". "Os ataques verbais por parte das autoridades turcas que se seguiram no dia de hoje são inaceitáveis", disse, mantendo que a visita dos dois ministros turcos não era aceitável no contexto em que vinham, ou seja, para vir fazer campanha política juntos dos imigrantes turcos na Holanda.

Para as autoridades holandesas, a visita da ministra turca dos Assuntos Familiares “foi irresponsável neste contexto” e que por isso foi transmitido ao Governo turco que Fatma Betül Sayan Kaya "não era bem-vinda à Holanda”, recordando que apesar de o país ter informado que não permite a campanha política pública da Turquia no seu território "ela decidiu viajar".

Veja aqui o que se passou no sábado e o que originou esta crise diplomática.