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Internacional

O vídeo de que toda a gente fala: as crianças que interromperam o pai durante um direto na TV

Convidado a comentar a a situação política da Coreia do Sul em direto para a BBC, Robert Kelly foi mais ou menos boicotado pelas suas filhas. Vale a pena ver o que aconteceu

Regra número um: se algum dia um canal de televisão lhe pedir para comentar temas tão sérios como a atualidade política, pense duas vezes antes de aceitar fazer um direto em sua casa. E se aceitar, tenha o cuidado de o fazer quando os seus filhos pequenos estiverem ausentes ou - leia bem - certifique-se que trancou a porta da sala onde o Skipe o vai mostrar.

Se não percebe porquê, veja o vídeo da BBC. Convidado a comentar a situação na Coreia do Sul, Robert Kelly começa bem enquadrado, com um mapa do mundo nas suas costas e até uns quantos livros pousados numa mesa ao lado, tudo certo tratando-se de um professor assistente. Mas tudo muda quando o plano se alarga e, visivelmente bem disposta e gingona, entra em cena uma menina que não terá mais de 3 ou 4 anos de idade, passeando-se com todo o à-vontade pelo espaço.

O pivot do noticiário comenta a visita e Kelly lá faz o que pode. É digno de louvor o seu esforço de contenção, enquanto com uma das mãos tenta afastar a criança (sem nunca desviar o olhar da câmara), mas o espectador percebe que a situação está prestes a “piorar” quando uma segunda criança - ainda mais pequena - desliza literalmente para dentro da sala, confortável no seu ‘andarilho’.

Como não há duas sem três, a análise política fica irremediavelmente comprometida quando pela mesma porta - sempre nas costas do já muito aflito comentador - irrompe aflita uma mulher.

Podia ser sul-coreana, já se escreve nos comentários após a partilha do vídeo, mas entre a discussão se a mulher é a mãe ou a ama, se terá usado demasiada agressividade para retirar as crianças da sala (aos mais atentos não escapou que nos momentos finais a menina mais velha é arrastada para garantir que saia) ou se a falta de vigilância adulta acabará em discussão, o que fica mesmo é a atrapalhação do professor. “Desculpem”, “as minhas desculpas”, vai repetindo, já sem conseguir disfarçar uns quantos sorrisos.

Só não ficará solidário quem não tiver filhos, sobrinhos ou viva sem crianças pequenas por perto. Para esses, os que apesar das gargalhadas se sintam privados do lado noticioso que era suposto ter acontecido, fica a informação: o Tribunal Constitucional da Coreia do Sul ratificou esta sexta-feira, por unanimidade, a destituição da Presidente do país, Park Geun-hye, suspeita num caso de corrupção e tráfico de influências. Duas pessoas morreram na sequência de manifestações que aconteceram após o anúncio da decisão - algo que não deve estar a preocupar muito as filhas de Robert Kelly.