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Internacional

Nova lei israelita pretende limitar a chamada à oração dos muçulmanos

AHMAD GHARABLI/GETTY

Os que a contestam dizem que é mais uma iniciativa contra a comunidade árabe por parte dos aliados do primeiro-ministro

Luís M. Faria

Jornalista

Duas propostas de lei para limitar a chamada à oração dos muçulmanos estão a levantar grande polémica em Israel. Uma das propostas proíbe essas chamadas entre as 23h e as 7h (tradicionalmente, a primeira chamada do muezzin tem lugar antes do nascer do Sol). Outra limita o volume dos altifalantes utilizados para divulgar a chamada em zonas residenciais, seja a que horas for.

A lei já recebeu aprovação preliminar. Embora o texto se refira a "casas de oração" em termos genéricos, ninguém tem dúvidas sobre aquilo de que se trata. Deputados árabes no Knesset reagiram com indignação. Um deles chegou a rasgar o texto da lei, o que levou à sua expulsão da sala.

Um dos deputados a favor justificou-se dizendo: "Isto é uma lei com um objetivo social que visa proteger o sono dos cidadãos, sem, Deus proíba, prejudicar a fé religiosa de ninguém". A ideia foi reiterada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu: "Israel defende a liberdade para todas as religiões, mas também tem a responsabilidade de proteger os seus cidadãos do ruido".

Para a líder de esquerda Tzipi Livni, se a lei entrar em vigor vai "espalhar o ódio e acender tensões" – um risco tanto mais real quanto a lei pretende aplicar-se em Jerusalém Leste, ocupada por Israel desde 1967 e reclamada pelos palestianianos como capital do seu futuro estado. Livni apela à unidade para derrotar a lei. Mas não vai ser fácil.

Outro político pró-governamental argumentou que os altifalantes não existem desde sempre, e disse que hoje em dia existem despertadores para acordar as pessoas. Mas essa trivialização de um costume que é objeto de referência por toda uma comunidade não vai facilitar o entendimento entre as comunidades judias e as muçulmanas.