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França: Emmanuel Macron lidera sondagens presidenciais pela primeira vez

CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS

Inquérito de opinião da Harris Interactive aponta avanço de um ponto percentual ao candidato liberal independente sobre Marine Le Pen na primeira ronda eleitoral, marcada para 23 de abril

O candidato centrista Emmanuel Macron surge pela primeira vez a liderar as sondagens de intenção de voto para as presidenciais francesas, com um inquérito da Harris Interactive divulgado esta quinta-feira a apontar ao candidato liberal independente um ponto percentual de vantagem sobre a rival da Frente Nacional (extrema-direita) Marine Le Pen, na primeira ronda das presidenciais, marcada para 23 de abril.

De acordo com a sondagem, se as eleições fossem hoje Macron angariaria 26% dos votos – um ganho de seis pontos percentuais em duas semanas – contra 25% para Le Pen, que até agora estava a liderar as sondagens de forma consistente. No caso de ninguém alcançar uma maioria qualificada na primeira volta, como é mais provável, seriam Macron e Le Pen a disputar a segunda e última ronda a 7 de maio. A sondagem da Harris mostra que, nesse cenário, Macron conseguiria chamar a si 65% dos votos e a líder da extrema-direita 35%.

Neste momento não há nenhum inquérito de opinião que anteveja a vitória de Le Pen e da sua plataforma nacionalista e anti-imigração; depois da vitória surpresa do populista anti-imigração Donald Trump nos EUA e do resultado do referendo ao Brexit em junho do ano passado, esse continua a ser um dos grandes receios entre os franceses e no resto da União Europeia.

O avanço nas sondagens do ex-ministro da Economia acontece depois de uma semana em que Macron, 39 anos, viu aumentar a quantidade de apoios do centro e da esquerda à sua candidatura, entre eles do ex-autarca socialista de Paris Bertrand Delanoë, que esta quarta-feira o elogiou por ser "um reformista, um europeu e um realista". Delanoë, que foi presidente da Câmara da capital francesa entre 2001 e 2014, disse à rádio France Inter que vai votar Macron porque é essencial "dar o máximo de apoio possível ao candidato que tem mais hipóteses de vencer Le Pen na primeira ronda".

Essa mesma ideia foi defendida pelo embaixador do Japão em Paris, que esta quarta-feira quebrou todos os protocolos diplomáticos ao declarar publicamente que se recusa manter-se no cargo diplomático caso Le Pen seja eleita Presidente. "Se esta tragédia francesa acontecer e ela for eleita, vou abdicar de todas as minhas funções diplomáticas", prometeu Thierry Dana num artigo de opinião publicado pelo "Le Monde".

Macron, um ex-banqueiro de investimento que se demitiu do governo socialista de François Hollande, em agosto, para preparar a sua candidatura independente à presidência, sugeriu esta quarta-feira que, se vencer, vai nomear uma mulher para ser sua primeira-ministra. "Para ser honesto, é demasiado fácil dizer isto esta noite", declarou durante um comício de campanha na capital, no Dia Internacional da Mulher. "Mas tenho estado a falar com outras pessoas, a começar por homens, e é realmente isso que desejo."

Macron deve a sua subida em flecha em parte ao escândalo que veio roubar credibilidade e apoios ao candidato conservador François Fillon, acusado de criar empregos fictícios para a mulher e os filhos pagos com dinheiro dos contribuintes franceses. Na terça-feira, o jornal "Le Canard Enchainé" veio deitar mais lenha na fogueira de escândalos que rodeiam o candidato republicano, ao avançar que Fillon não terá declarado às Finanças um empréstimo de 50 mil euros de um amigo milionário.

Nesse mesmo dia, Macron – que o rival político Alain Juppé descreve como "politicamente ingénuo" – garantiu à AFP que vai defender a classe média francesa que, diz, tem sido ignorada tanto pela esquerda como pela direita. Na entrevista, acusou o governo de Hollande, no qual foi ministro entre 2014 e 2016, e também os partidos da oposição de desiludirem as classes médias com cortes nos postos de trabalho e aumentos da carga fiscal.