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EUA enviam centenas de fuzileiros para Raqqa para apoiar luta contra o Daesh

Força Aérea EUA

Destacamento para os arredores do último bastião do grupo radical na Síria é temporário, enquanto as chefias militares tentam reverter um limite imposto pela administração de Barack Obama ao máximo de tropas que os EUA podem enviar para o país, mergulhado numa sangrenta guerra civil desde março de 2011

Uma fonte oficial norte-americana avançou na quarta-feira à Associated Press que os Estados Unidos destacaram algumas centenas de tropas da Marinha para a Síria em preparação de uma ofensiva para expulsar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) do seu último bastião no país, a cidade de Raqqa. O destacamento é temporário mas, de acordo com a agência, sinaliza a disponibilidade da administração de Donald Trump para dar maior flexibilidade ao Pentágono nas decisões rotineiras de combate contra o grupo radical.

As chefias militares norte-americanas estarão frustradas pelo que consideravam ser a postura de microgestão da anterior administração de Barack Obama e têm defendido mais margem de manobra para a tomada de decisões diárias sobre as melhores alternativas para lutar contra o inimigo no terreno.

Os fuzileiros que já foram destacados para a Síria vão instalar e posicionar lança-morteiros ao redor de Raqqa para prestar apoio às forças sírias que estão a combater o Daesh, aponta a fonte citada. A par disso, os Estados Unidos estarão igualmente a preparar-se para enviar centenas de tropas para o Kuwait — de acordo com a mesma fonte, menos de mil — para o caso de os combates contra o Daesh no Iraque passarem para o lado de lá da fronteira.

A nova movimentação de tropas surge pouco depois de um destacamento temporário de dezenas de forças armadas norte-americanas para os arredores de Manbij, no norte da Síria, no que o Pentágono classifica como uma missão para “tranquilizar [os aliados] e dissuadir [os inimigos]”; as tropas e os veículos blindados estão estacionados naquela área para controlar as tensões, aponta o Departamento de Justiça. A Associated Press indica que as forças parecem ter como principal missão assegurar que os grupos da oposição síria e as tropas turcas que estão no terreno se concentrem em conjunto nas batalhas contra o Daesh em vez de guerrearem entre si.

Sob os atuais limites aplicados pela administração Obama, o exército norte-americano só pode ter um máximo de 503 soldados na Síria, embora o pessoal destacado temporariamente não seja considerado nessa contagem. Os chefes do Pentágono enviaram o novo plano de combate ao Daesh para a Casa Branca em fevereiro, no qual delineiam uma estratégia que deverá conduzir ao aumento do número de tropas na Síria para aconselhar e prestar apoio às forças sírias que estão envolvidas nas batalhas por Raqqa.

Fontes oficiais das forças armadas dos EUA dizem que a luta pela autodeclarada capital do Daesh na Síria vai ser muito semelhante aos combates no vizinho Iraque, onde as forças locais estão há vários meses a lutar para reaver o controlo de Mossul, o último bastião urbano do grupo jiadista no país.