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Dois malaios funcionários da ONU deixaram a Coreia do Norte após proibição de saída do país

Embaixada da Coreia do Norte em Kuala Lumpur

EDGAR SU/REUTERS

Malásia e Coreia do Norte impuseram proibições recíprocas que impedem cidadãos de abandonarem os dois países. A crise diplomática entre ambos parece estar para durar

Dois funcionários do Programa Alimentar Mundial da ONU deixaram hoje a Coreia do Norte depois da proibição, por Pyongyang, da saída do país dos cidadãos malaios, na sequência do homicídio do meio-irmão do líder norte-coreano, anunciou a organização.

“O PAM [Programa Alimentar Mundial] confirma que dois funcionários do PAM de nacionalidade malaia deixaram a Coreia do Norte e chegaram hoje a Pequim”, disse em comunicado aquela agência das Nações Unidas.

“Os membros da equipa são funcionários internacionais e não representantes do seu governo nacional. Eles trabalham para os programas do PAM na Coreia do Norte”, acrescentou.

A Coreia do Norte e a Malásia impuseram proibições recíprocas aos cidadãos dos dois países de saírem do país, com Kuala Lumpur a dizer que os seus nacionais estavam efetivamente a ser mantidos como “reféns” em território norte-coreano.

O anúncio surgiu um dia depois de Pyongyang ter declarado o embaixador da Malásia na Coreia do Norte 'persona non grata', em represália pela expulsão do seu embaixador na Malásia, Kang Chol, ordenada por Kuala Lumpur no passado sábado depois das suas críticas à investigação ao homicídio de Kim Jong-nam, meio-irmão de líder norte-coreano Kim Jong-un.

O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, disse entretanto que vão manter laços diplomáticos com o regime de Kim Jong-un e que estes servem de canais para negociar a libertação dos cidadãos da Malásia detidos em território norte-coreano.

Pyongyang e Kuala Lumpur têm relações próximas há anos, mas que se têm vindo a deteriorar nas últimas semanas desde o homicídio do meio-irmão do líder norte-coreano no aeroporto da Malásia.

Kim Jong-nam foi assassinado a 13 de fevereiro por duas mulheres que, segundo as autoridades malaias, lançaram uma substância tóxica conhecida por VX contra o seu rosto, que o matou em poucos minutos.

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    As tensões entre os dois países continuam a aumentar desde que Kim Jong-nam, meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, foi assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur a 14 de fevereiro, alegadamente com recurso a uma arma química banida que será produzida nos laboratórios estatais de Pyongyang. Regime norte-coreano continua sem confirmar a identidade da vítima e acusa os malaios de terem “objetivos sinistros” e de estarem a colaborar com a Coreia do Sul

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    Embaixador foi declarado 'persona non grata' por causa dos seus ataques às investigações da Malásia sobre o caso do assassínio do meio-irmão do líder da Coreia do Norte, no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Kang Chol, que deveria ter pedido de desculpa por ter acusado os dirigentes malaios de estarem “em conluio com forças externas”, isto é, com a Coreia do Sul, tem 48 horas para abandonar o país