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Fogo em orfanato na Guatemala posto por meninas em protesto contra abusos sexuais

Do lado de fora do orfanato, dezenas de familiares juntaram-se à espera de notícias

SAUL MARTINEZ/ Getty Images

Pelo menos 19 pessoas foram encontradas mortas no local do incêndio, que terá começado depois de uma das jovens do orfanato ter incendiado um colchão. A instituição tem estado envolta em polémica desde 2016. Pelo menos 47 jovens já fugiram

Pelo menos 14 meninas morreram e outras 38 ficaram feridas num incêndio registado esta quarta-feira num orfanato na Guatemala, quando as jovens tentaram protestar contra os abusos sexuais e físicos, que sofrem, segundo fontes familiares.

O provedor dos Direitos Humanos, Abde Paredes, explicou aos jornalistas que, segundo as primeiras investigações, o fogo foi posto pelas próprias meninas e terá começado num colchão.

Segundo o porta-voz dos bombeiros locais, Mario Cruz, pelo menos 19 pessoas foram encontradas mortas no local do incêndio, que continuar a ser combatido.
O departamento nacional da polícia referiu que um total de 38 pessoas ficaram feridas, 14 das quais em estado grave devido a queimaduras.

Uma centena de pessoas concentrou-se no local para pedir às autoridades as identidades dos mortos e feridos, não tendo recebido, até ao momento, qualquer informação.

As meninas feridas e mortas terão alegadamente escolhido o Dia Internacional da Mulher para protestar contra os abusos sexuais e físicos que sofrem no orfanato.

Com os olhos em lágrimas e cabeças cabisbaixas, pais, mães e irmãos de alguns dos internos exigem saber a verdade.

O pai de Pablo, um menino de 14 anos, contou que o filho está no centro, mas desconhecia o seu estado. O homem salientou, contudo, não ter dúvidas que o filho é vítima de abusos.

"É assim que tratam as pessoas. É uma porcaria. Tem feridas quando o venho ver e se lhe pergunto quem lhas fez fica zangado", disse o homem, que prefere não se identificar.

Um grupo de mulheres comentou os testemunhos de crianças que alegam serem "espancadas e violadas".

"Não são criminosos, nem animais. São crianças, são pessoas, são adolescentes", gritou uma delas.

O orfanato tem estado envolto em polémica desde 2016. Pelo menos 47 jovens fugiram, o que levou a Secretaria da Presidência, responsável pela custódia das crianças a destituir o diretor.

As autoridades investigam desde então os factos e uma juíza decretou o encerramento do centro, motivo que levou dois juízes do Supremo Tribunal da Justiça a deslocar-se ao local para verificar a situação.

Dezenas de bombeiros, polícia, Cruz Vermelha e membros da Coordenação Nacional para a Redução de Desastres estão no local.