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Internacional

Presidente da CNN diz que silêncio de políticos sobre ataques de Trump à imprensa é chocante

Desde que assumiu o cargo de Presidente, Trump tem atacado repetidamente a comunicação social, designadamente a CNN. Para Zucker, o mais importante é não ser intimado pelo comportamento de Trump e permanecer fiel a um jornalismo agressivo

O presidente da CNN, Jeff Zucker, afirmou esta terça-feira que é “chocante” constatar o silêncio do mundo político dos EUA em relação aos ataques de Donald Trump à comunicação social, classificando-o como uma abdicação da sua responsabilidade. Mencionou porém os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham como alguns dos poucos que tiveram a coragem para se erguer contra, em nome das suas convicções.

Zucker falava durante uma conferência sobre comunicação social, em Jerusalém, onde acrescentou que estava admirado por os políticos ainda não se terem pronunciado de forma firme contra os assaltos de Trump à liberdade de imprensa. E onde disse que a classificação da imprensa como inimiga do Estado era infeliz e perigosa. Contudo, recusou dizer se algum dos trabalhadores da estação televisiva tinha sido ameaçado e que género de medidas de segurança a empresa tinha tomado, mas avisou que “as palavras podem ter consequências”.

Desde que assumiu o cargo de Presidente, Trump tem atacado repetidamente a comunicação social, designadamente a CNN. O ocupante da Casa Branca censurou os repórteres da estação televisiva publicamente, escarneceu-a como divulgadora de “notícias falsas” e o seu assessor de imprensa impediu os jornalistas da CNN de integrarem grupos de repórteres a quem foram feitas declarações. Zucker acrescentou que este clima conflituoso não prejudicou a CNN, pelo contrário, as suas audiências e receitas conheceram um acentuado aumento.

Considerou também que o mais importante era não ser intimado pelo comportamento de Trump e permanecer fiel a um jornalismo agressivo. “Quando se informa, quando há fidelidade aos factos, quando se diz a verdade, quando se defende a liberdade de imprensa, quando se designam as coisas por aquilo que são, isto não é ripostar – é fazer o trabalho”, disse, durante a conferência.

“Penso que ele (Trump) continua a acreditar que a comunicação social está a insinuar que a sua Presidência é ilegítima. Mas não é o que se está a passar. Apenas estamos a fazer perguntas, a tentar noticiar, a fazer o nosso trabalho”, desenvolveu.

Zucker, que, quando foi chefe da NBC Entertainment, ajudou a lançar a carreira televisiva de Trump, ao autorizar o ‘reality show’ “The Apprentice” (O Aprendiz), disse que a última vez que falou com Trump foi às 19h00 de 21 de dezembro, quando estava em casa a ver televisão e o seu telemóvel tocou. “Eu disse ‘Hello’. Ele disse ‘Jeff, Donald’. E passou os dois minutos seguintes a queixar-se de um convidado que estava na CNN a dizer alguma coisa sobre ele que lhe desagradou. Berrou comigo durante dois minutos e disse ‘Ok. Percebeste? Adeus’ e desligou”, recordou Zucker, para gáudio da audiência.