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Internacional

Diretor do fisco acusado de corrupção tem um ataque cardíaco – e vai de maca para o tribunal

Aconteceu na Ucrânia, onde nada parece ter mudado após a revolução de há três anos

Luís M. Faria

Jornalista

O diretor do Serviço Fiscal Ucraniano Roman Nasirov foi detido sob acusações de corrupção em larga escala – e teve um ataque cardíaco, ou disse que teve. Esta alegação foi encarada com algum ceticismo, mas Nasirov compareceu em tribunal deitado numa maca. O Departamento Nacional Anticorrupção acusa-o de ter roubado ao Estado o equivalente a 70 milhões de euros.

Há muito que a corrupção é um problema na Ucrânia, e ultimamente as queixas têm-se tornado mais intensas, sobretudo por parte dos doadores e outras instituições internacionais que apoiam o país. Em dezembro, as declarações de bens feitas por políticos (uma obrigação imposta apenas recentemente) causaram escândalo geral. Num país onde o salário médio anda pelos 200 euros, muitos titulares de cargo, desde deputados e governantes, assumiram que têm fortunas de milhões, em dinheiro, propriedades e bens de luxo. O presidente e o primeiro-ministro são apenas dois dos milionários.

O caso que agora envolve Nasirov refere-se a subornos que terá recebido para conceder períodos de graça a diversas entidades. Entre elas, companhias ligadas a Oleksandr Onishenko, um antigo deputado que fugiu do país após ser alvo de uma investigação por corrupção.

Nasirov assumiu o cargo em 2014. Dado tratar-se de um aliado próximo do Presidente Petro Poroshenko, o seu processo poderá vir a ter efeitos políticos. Analistas notaram que é o primeiro alto funcionário do país a enfrentar formalmente uma acusação deste género.

A situação é tanto mais irónica quanto se sabe que a revolta popular contra a corrupção maciça no país foi um dos principais fatores que levaram à queda do Presidente anterior Viktor Yanukovich, e à sua substituição por um governo pró-ocidental. Passados três anos, o país não apenas continua a sofrer a tragédia da guerra promovida pela Rússia na sua zona leste, como não parece conseguir apresentar um rosto decente à Europa de que aspira fazer parte.