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Republicanos franceses decidem hoje o que fazer quanto a François Fillon

Alain Juppé ao lado de um cartaz de campanha de François Fillon

NICOLAS TUCAT

Alain Juppé, que Fillon derrotou nas primárias da direita francesa no ano passado, é o favorito para tomar o lugar de candidato do partido às presidenciais de abril, numa altura em que o atual cabeça de lista continua em queda nas sondagens e a perder apoios internos por alegado abuso de poder e favorecimento ilícito da mulher e dos dois filhos

Os Republicanos franceses vão estar reunidos esta segunda-feira ao final do dia para tentarem resolver a crise que o partido de centro-direita está a atravessar, após o seu candidato presidencial ter sido acusado de recorrer a dinheiro dos contribuintes para pagar salários fictícios à mulher e aos dois filhos.

François Fillon continua a desmentir as acusações mas, a um mês das eleições, está em queda nas sondagens de opinião e a perder cada vez mais apoios dentro do seu partido. Para as 10h30 locais (9h30 em Lisboa) desta segunda-feira, é esperado um comunicado de Alain Juppé, tido como o mais provável substituto de Fillon se este decidir abdicar da corrida eleitoral.

Até agora, Juppé tem garantido que não quer ser o plano B do partido, mas o facto de os inquéritos de opinião apontarem que tem mais hipóteses do que Fillon de passar à segunda volta, em maio, pode fazê-lo mudar de ideias, aponta a BBC.

Este domingo à noite, numa entrevista televisiva, Fillon voltou a insitir que "ninguém pode" impedi-lo de ser candidato às presidenciais. Contudo, as pressões sobre o político caído em desgraça continuam a aumentar e hoje o partido pode decidir afastá-lo da corrida, depois de alguns elementos de topo da sua campanha o terem abandonado e de vários membros do partido terem retirado o seu apoio oficial ao candidato.

Antes da entrevista de domingo, Fillon surgiu diante de dezenas de milhares de apoiantes em Paris para prometer que a luta vai continuar e para rejeitar a possibilidade de ser substituído por Juppé, o rival que destronou nas primárias da direita no ano passado. "Se eles quisessem Alain Juppé, teriam votado em Alain Juppé naquelas eleições [internas]." No mesmo protesto, Fillon também garantiu que vai ser ilibado de todas as acusações assim que for concluída uma investigação criminal ao caso e que os que o acusam vão sentir-se embaraçados.

Fillon combate há semanas as acusações de que a sua mulher esteve vários anos a receber um salário por um emprego fictício enquanto sua assistente parlamentar. Em entrevista ao "Journal du Dimanche" este fim de semana, Penelope Fillon voltou a dizer que trabalhou para o marido e que "foi tudo legal e declarado". Os filhos do casal, Marie e Charles, também terão recebido do pai salários fictícios enquanto conselheiros legais, apesar de nenhum deles ser advogado ou especialista em Direito.

Atualização 10h40: Juppé anunciou que não vai ser candidato às presidenciais porque não tem condições para representar um 'projeto unificador' nas urnas