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Internacional

PGR brasileiro “aperta” ministros de Temer por corrupção

JOEDSON ALVES

Rodrigo Janot prepara-se para pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de investigações por corrupção a ministros e parlamentares do PMDB e do PSDB. O PGR deverá pedir ainda o levantamento do sigilo sobre as denúncias da Odebrecht.

A equipa do Procurador Geral da República (PGR) , Rodrigo Janot, está a ultimar uma lista para pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigações por corrupção a uma série de de ministros e parlamentares quer do partido de Michel Temer, o PMDB, quer do PSDB, o seu principal aliado político.

O pedido formal de Janot deverá ocorrer esta semana e está a provocar grande apreensão nos meios políticos em Brasília, quando perfazem exatamente dois anos da entrega da primeira lista. A mioria dos nomes constam das denúncias feitas por 77 administradores da Odebrecht, conhecida como a "Delação do fim do mundo".

Temer na lista?

A iniciativa de Rodrigo Janot poderá incluir o próprio Presidente. A verificar-se a intenção do PGR, é mais uma frente judicial contra Michel Temer, completamente cercado pelo processo que contra ele (e Dilma Roussef) corre no Tribunal Eleitoral e que poderá levar à destituição do Presidente.

O jornal cita fonte próximas da PGR para dizer que a equipa de Janot estuda a inclusão na lista do próprio Michel Temer. Segundo a Constituição, o presidente não pode ser investigado por actos praticados fora do mandato – Temer substituiu Dilma Rousseff no ano passado. “ A discussão interna na PGR é saber se o cargo de vice pode ser considerado “mandato presidencial”, adianta a “Folha”.

Os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Presidência, Moreira Franco já constam da lista de Rodrigo Janot, avançou ontem a “Folha de São Paulo”. Moreira Franco que foi há duas semanas promovido a ministro passou a gozar de “foro privilegiado” deverá ainda hoje prolongar por mais um mês a baixa por razões de saúde. Franco será investigado por pedido de subornos enquanto foi secretário da Aviação Civil enquanto Padilha foi denunciado por ter recebido 10 milhões de reais (3 milhões de euros) do “saco azul” da Odebrecht.

A lista inclui também José Serra (PSDB) que há duas semanas alegou razões de saúde para abandonar a pasta dos Negócios Estrangeiros.

Com base na lista de pagamentos da construtora Odebrecht, Rodrigo Janot quer que o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, investigue também o senador Aécio Neves (PSDB) – derrotado por Dilma nas presidenciais – , o presidente do Senado, Eunício Oliveira, o seu antecessor e presidente do PMDB, Renan Calheiros. O mesmo acontece com os senadores Romero Jucá (forçado a demitir-se do governo há uns meses depois de escutas comprometedoras) e Edison Lobão, entre outros.

20 denúncias em 2 anos de Lava Jato

A página oficial da PGR do Brasil destaca que hoje, dia 6 de março, se cumprem dois anos que Rodrigo Janot pediu a abertura de 28 investigações junto do STF sobre 55 suspeitos de envolvimento na operação Lava Jato.

A primeira lista do PGR incluía suspeitos de envolvimento no desvio de fundos da Petrobras com foro privilegiado citadas nos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do operador financeiro Alberto Youssef.

Deste total, apenas quatro políticos foram constituídos arguidos: o ex deputado Eduardo Cunha (PMDB); o deputado Eduardo Gomes (PMDB); a senador Gleisi Hoffmann (PT) e o deputado Nelson Meurer (PP).

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