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Ex-polícia implica Presidente filipino no assassínio de 200 pessoas

TED ALJIBE/GETTY

Arturo Lascanas disse que mentiu nas declarações que prestara em outubro por ter sido ameaçado e temer pela vida dos seus familiares caso tivesse admitido ter integrado um esquadrão da morte comandado por Rodrigo Duterte

Um polícia reformado admitiu hoje perante o Senado filipino ter morto 200 pessoas até 2015 enquanto integrou um "esquadrão da morte" formado por ordem de Rodrigo Duterte, o atual Presidente filipino que na altura era presidia à autarquia de Davao.

Arturo Lascanas disse que mentiu nas declarações que prestou ao Senado em outubro, para não implicar Duterte em execuções extrajudiciais, por temer pela segurança da sua família, após a polícia o ter advertido para “negar tudo”.

Disse que ele próprio matou 300 pessoas, cerca de 200 das quais como membro de um “esquadrão da morte de Davao”, referindo também que em dois casos assassinou opositores de Duterte, sob instrução daquele que era então o seu guarda-pessoal.

É a segunda pessoa a admitir perante os deputados a sua ligação aos "esquadrões da morte" clandestinos de Davao.

O testemunho perante o Senado ocorre após o ex-polícia ter, em pranto, revelado a sua história aos meios de comunicação.

Receio a Deus e 1400 mortos

Lascanas disse ainda que mudou o seu testemunho por estar atormentado com o que fizera e por pensar que contando a verdade se iria libertar: Foi “devido ao meu desejo de dizer a verdade, não apenas devido ao meu despertar espiritual, mas pelo meu medo de Deus, eu quis limpar a minha consciência”.

Duterte tem negado o seu envolvimento em execuções sumárias, tanto como Presidente como ao longo dos 22 anos que foi autarca de Davao.

Grupos de defesa dos direitos humanos reuniram documentos relativos a 1400 mortes suspeitas em Davao, durante o período em que esse período e desde que assumiu funções como Presidente das Filipinas mais de 8 mil pessoas foram mortas ao longo de todo o país, em sequência da sua “guerra às drogas”.

A maior parte das vítimas são consumidores de drogas assassinados por homens armados.

A polícia tem afirmado que não está relacionada com estas mortes admitindo, porém, que matou 2555 pessoas suspeitas de envolvimento em drogas e que resistiram à prisão.

Ronald dela Rosa, o antigo responsável pela polícia civil de Davao e atual diretor geral da polícia filipina, anunciou esta segunda-feira o relançamento das operações antinarcóticos, que haviam sido suspensas há um mês devido às suspeitas de envolvimento das forças policiais nas execuções sumárias.