Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Coreia do Norte testa mais quatro mísseis balísticos. Três aterraram perto da costa do Japão

Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão

Brook Mitchell

Seul e Tóquio dizem que o regime norte-coreano lançou quatro novos mísseis esta segunda-feira de manhã contra a Zona Económica Exclusiva no mar do Japão. “Isto demonstra claramente que a Coreia do Norte entrou numa nova fase de ameaça”, sublinha o primeiro-ministro nipónico Shinzo Abe

A Coreia do Norte lançou quatro mísseis balísticos esta segunda-feira de manhã, com três deles a caírem a cerca de 300 quilómetros de distância da costa do Japão. A informação foi avançada pelas autoridades da Coreia do Sul e pelas autoridades nipónicas, dias depois de Pyongyang ter prometido retaliar contra os exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul na região, que o regime norte-coreano diz serem preparativos para uma guerra, e ter sublinhado que os norte-americanos vão "pagar caro" se incluírem o regime de Kim Jong-un na lista negra de terrorismo.

Os exercícios conjuntos de Seul e Washington começaram na semana passada e foram de imediato condenados pelo regime norte-coreano como uma provocação deliberada. Seul diz que os quatro mísseis foram lançadosda província de Pyongan do Norte para o mar do Japão e que tanto as autoridades sul-coreanas como as norte-americanas estão a "analisar atentamento" as informações disponíveis para apurarem mais detalhes sobre o novo teste.

Shinzo Abe, o primeiro-ministro nipónico, já confirmou que três dos quatro mísseis caíram bem perto da Zona Económica Exclusiva (ZEE), uma área marítima situada a cerca de 370 quilómetros da costa noroeste do Japão. "Isto demonstra claramente que a Coreia do Norte entrou numa nova fase de ameaça", disse Abe numa intervenção no Parlamento. "Os lançamentos representam uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança [da ONU] e uma ação extremamente perigosa."

De acordo com o exército sul-coreano, nada indica que os mísseis testados sejam mísseis balísticos intercontinentais com capacidade para alcançarem território norte-americano; estes terão percorrido uma distância de cerca de mil quilómetros atingindo uma altura máxima de 260 quilómetros no ar. Tomomi Inada, ministro da Defesa do Japão, diz que três caíram a apenas 300 quilómetros da costa nipónica.

Hwang Kyo-ahn, Presidente interino da Coreia do Sul, também já condenou os testes e diz que vai avançar rapidamente com o destacamento do sistema de defesa antimísseis dos EUA apesar das objeções da China. À Al-Jazeera, Robert Kelly, professor de ciência política e diplomacia na Universidade Nacional de Pusan, explicou que "estes testes de mísseis estão a ficar cada vez mais próximos do Japão" e que existem suspeitas fortes de que, neste momento, "a Coreia do Norte tem capacidades para atingir grande parte [do território] da Coreia do Sul".

O melhor plano de ação, adiantou, é ativar os sistemas de defesa antimísseis. "Bombardear a Coreia do Norte pode ser altamente perigoso, porque [os ataques] podem atingir [inadvertidamente] a capital da Coreia do Sul. Os escudos antimísseis são provavelmente a melhor defesa no futuro."

Apesar de Pyongyang já ter levado a cabo dois testes atómicos no ano passado e uma série de testes de mísseis nos últimos meses, esta é apenas a segunda vez que o país consegue atingir a ZEE do Japão.