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O céu não é o limite

FOTO Benjamin Lowy/Contour by Getty Images

Esta é a história de Elon Musk, o homem dos carros elétricos, dos telhados solares e dos foguetões reutilizáveis que quer povoar Marte enquanto revoluciona a Terra

Há uma certa dose de loucura em todas as ideias. Imaginar um interminável sistema de tubos dentro dos quais há uma espécie de comboio que viaja a 1200 km/hora sempre a flutuar sobre um fluxo constante de ar pressurizado, por exemplo, é uma ideia louca de acordo com os parâmetros de qualquer pessoa. De certo modo, furar o subsolo de Los Angeles para criar uma rede de túneis com milhares de quilómetros para resolver os problemas de trânsito da cidade é parecido. Tal como descobrir uma forma de fundir o cérebro dos “defeituosos humanos” com a todo-poderosa inteligência artificial. A não ser, claro, que essa pessoa seja Elon Musk, o multimilionário que passa os dias a olhar para o céu e a pensar no que pode fazer com todo o dinheiro que ganhou na Terra.

Os carros elétricos, os telhados solares e os foguetões são apenas um ponto de partida — aos quais se deverá juntar, em breve, o Hyperloop One. Sim, o tal comboio dentro do tubo tem um nome, está a fazer testes em circuito fechado e a desenhar rotas em cinco países, com o objetivo de transportar carga em 2020 e passageiros no ano seguinte. E também já há furos em LA. E uma organização sem fins lucrativos, a OpenAI, criada para garantir que a inteligência artificial é desenvolvida de forma segura e estará ao dispor da maioria das pessoas. Sim, fala-se de supercérebro, mas isso não chega. Musk quer chegar longe. Muito mais longe. Quer chegar a Marte nos próximos anos. Quer que o homem seja uma espécie interplanetária, capaz de criar uma civilização autossustentável noutro planeta. A loucura, às vezes, é viver no futuro e estar preso no presente.

Dono de uma energia que parece inesgotável (perdeu-a por completo apenas uma vez, quando contraiu uma severa malária durante as férias, que o levaram ao Brasil, à sua África do Sul e a Moçambique, e quase o conduziu à morte), é a ela que dedica grande parte do seu tempo. A forma como olha para a energia vai muito além da eletricidade que move os carros da Tesla ou dos painéis fotovoltaicos da SolarCity. Chega mesmo à sua própria alimentação. Elon segue uma dieta low-carb — muito em voga nos dias que correm, que consiste na redução do consumo de hidratos de carbono — e aposta mais na proteína, mesmo que seja de proveniência animal. Agora já parece gostar de almoços, jantares e festas, mas nem sempre foi assim. Aos 19 anos, confessou a uma amiga que até podia não comer. Se houvesse uma forma de conseguir ter acesso aos nutrientes necessários sem perder tempo com refeições, seria perfeito para ele. Tudo para ter (ainda mais) tempo para trabalhar.

A verdade é que ninguém acreditava que pudesse chegar até aqui e só mesmo o próprio se conseguiria projetar no futuro a fazer o que hoje faz. E a ter uma fortuna avaliada em 13,9 mil milhões de dólares (€13,1 mil milhões). Fá-lo há muito, usando para isso uma capacidade que descobriu em criança. Elon consegue concentrar-se ao ponto de se abstrair completamente do que o rodeia, entrando num estado de quase transe em que se torna impossível comunicar com ele. Os pais até chegaram a pensar que sofria de surdez. Não foi a única característica especial que desenvolveu. Segundo Musk, o seu cérebro tem também uma função aproximada à dos processadores gráficos dos computadores e consegue visualizar com pormenor tudo o que imagina. O cérebro até pode funcionar de forma diferente, mas são muito os que apontam para a sua dificuldade em separar completamente o que é verdadeiro do que é pura imaginação. A ficção científica sempre fez parte de si e durante a adolescência Elon Reeve Musk — que queria ser conhecido pelo nome E.R. Musk, a lembrar génios da literatura como J.R.R. Tolkien, de “O Senhor dos Anéis”, cuja leitura adorou — já se mostrava preocupado com o destino da Humanidade. Não é estranho que um jovem sonhe com o espaço, mas julgar que o destino do homem no Universo está nas suas mãos pode ter um peso demasiado grande.

Cresceu com poucos amigos, foi colecionando inimigos e acabou por ser vítima de bullying na escola. Inadaptado declarado, andou em várias escolas. Uma vez, a perseguição do grupo de rufias da Bryanston High School foi mais longe. Elon foi empurrado de uma escada e ponteado na cabeça, na presença do indefeso irmão mais novo, e foi parar ao hospital. Só conseguiu regressar às aulas uma semana depois, para continuar a sofrer. Segundo conta, a tormenta durou três ou quatro anos, com a vida escolar a melhorar apenas no ensino secundário, que completou na conceituada Pretoria Boys High School. Embora continuasse longe de ser um aluno popular, Musk conseguiu encontrar o seu lugar. A sua excentricidade podia não ser apreciada, mas já era respeitada. Terá sido nestes anos de mudança que começou a pensar na colonização de outros planetas. Mas também assumiu posições mais realistas, ainda que não menos polémicas. Uma vez, durante uma aula de ciências, mostrou-se contra os combustíveis fósseis e defendeu a energia solar. Apesar das melhorias na escola, a vida continuava a pregar-lhe partidas. Durante a infância, a vida em casa sempre havia sido um suporte, mas tudo mudou após o divórcio dos pais. Depois de uma primeira fase em que Elon, Kimbal e Tosca, a irmã mais nova, ficaram com a mãe, os dois rapazes acabaram por decidir ir viver com o pai, Errol. As condições económicas eram muito melhores, mas os abusos psicológicos paternos eram uma constante — Errol sentava os dois filhos durante horas para os massacrar com jogos psicológicos (de que nunca falam).

ADEUS, APARTHEID

O grito de independência chegou com a aproximação da maioridade e aos 17 anos, Elon rumou ao Canadá. A escolha do país pode parecer estranha para um jovem que sempre viveu em África do Sul e que via os EUA como a ‘terra das oportunidades’, mas era um passo necessário para atingir o objetivo que havia delineado. Pensou que o facto de ter família, embora completamente desconhecida, em solo canadiano daria uma ajuda. Uma mudança legislativa, que permitiu a Elon receber a cidadania canadiana a partir da mãe, acabou por revelar-se fulcral. Evitando o serviço militar obrigatório, que o tornaria parte ativa no regime do apartheid, chegou a Montreal como cidadão canadiano. Esperava encontrar um tio-bisavô, mas este havia-se mudado para o Minnesota. Teve de se desenrascar e sobreviver ao longo de um ano apenas de biscates. Foram vários e nem sempre no mesmo sítio. Percorreu o Canadá desde a costa leste até Vancouver, junto ao Pacífico, onde encontrou o trabalho mais bem pago que alguma vez havia conseguido: dezoito dólares por hora para fazer a limpeza da caldeira de uma serração. As condições eram desumanas, mas nem isso o fez desistir. A resiliência havia de lhe dar muito jeito no futuro. Em 1989, regressa ao lado atlântico do Canadá e instala-se em Ontário para estudar. Foi para a Queen’s, em Kingston, onde conheceu aquela que viria a ser a sua primeira mulher, e rumou depois aos Estados Unidos. A transferência para a Universidade da Pensilvânia aconteceu em 1992, com direito a uma bolsa de estudo. A escolha de cursos estava feita: primeiro faria uma licenciatura em Economia e depois um bacharelato em Física. Os interesses da adolescência não se perderam e, apesar de conjugar os estudos com a gerência de um bar universitário ilegal, continuava a sonhar com um futuro mais sustentável. Pelo meio, escreveu alguns ensaios sobre o tema.

Elon Musk não olha para o mundo como a maioria, e onde muitos veem um exemplo ele vê um desperdício. “Acho que há, provavelmente, demasiadas pessoas inteligentes dedicadas à internet, às finanças e ao direito”, afirmou ao seu biógrafo, Ashlee Vance, concluindo que “é, em parte, por isso que não se gera muita inovação”. Será que é mesmo? Agora, mais dedicado aos produtos físicos, Musk até pode criticar a moda das dot.com, mas foi no período em que a bolha crescia sem rebentar que viu a sua conta crescer ao mesmo ritmo. Em 1995, depois de sair da universidade, criou a Zip2 com o irmão. Comparando com as plataformas hoje existentes, tratava-se de uma mistura muito arcaica de um Google Maps com a aplicação de georreferenciação Yelp, mas mais semelhante à versão digital das páginas amarelas. O percurso nem sempre foi fácil, mas o esforço deu resultado. Depois de várias disputas internas, Musk acabou por conseguir vender a empresa à Compaq, amealhando 22 dos 307 milhões de dólares pagos pelo gigante norte-americano. O valor chegava-lhe para uma vida confortável, mas desde jovem que Musk abdicou sempre do conforto em prol do desenvolvimento. O empreendedor é uma espécie de Philippe Petit, o funâmbulo que caminha entre as duas torres do World Trade Center sobre um cabo de aço suspenso. Avança sem suporte mas nunca cai (mesmo que o fim das suas empresas tenha sido anunciado por analistas não raras vezes). Musk pegou então no valor em caixa e investiu-o (quase na íntegra) numa startup.

A X.com era uma aposta de grande risco — queria mudar o sistema financeiro, povoado por bancos clássico e com procedimentos datados — para a qual o mercado podia não estar preparado, e Musk foi obrigado a reformulá-la diversas vezes. Depois de perder e recuperar o controlo da empresa (foi atraiçoado pela equipa com que trabalhava, durante a lua de mel), que entretanto se havia fundido com outra e mudado de nome, Elon acabou por ganhar o jackpot. A PayPal, resultado da fusão da X.com com a Confinity, foi vendida por 1,5 mil milhões de dólares à eBay e mudou a forma como as transferências de dinheiro são efetuadas. Viria a mudar também, de forma indireta, o rumo das indústrias aeroespacial, automóvel e solar.

Poderoso. Elon Musk é conhecido pelos carros elétricos da Tesla, mas o seu império conta ainda com o gigante fotovoltaico SolarCity e com a empresa de transporte espacial SpaceX

Poderoso. Elon Musk é conhecido pelos carros elétricos da Tesla, mas o seu império conta ainda com o gigante fotovoltaico SolarCity e com a empresa de transporte espacial SpaceX

FOTO JERRY LAMPEN/AFP/Getty Images

É aqui que Elon passa de inventor-empreendedor a investidor de capital de risco, investindo 100 milhões de dólares na SpaceX, 70 milhões na Tesla e dez milhões na SolarCity. As apostas podiam falhar e o empresário podia perder todas as suas posses, mas a forma como olha para os negócios impede-o de baixar os braços. Há muito anos que se fazem missões espaciais, se compram carros e se aproveita a energia solar, no entanto há sempre a possibilidade de os recursos não estarem a ser usados da melhor forma. Se for esse o caso acredita, há que repensar os produtos desde a sua génese. Passar uma borracha sobre tudo e começar de novo.

No meio de tantos sucessos e mudanças no plano empresarial, havia também razões para celebrar em família. Justine tinha dado à luz o primeiro filho do casal, e o pequeno Nevada Alexander Musk tornara-se uma parte importante da vida de Elon. Nada fazia prever que a felicidade de ver o filho a descansar enquanto dormia a sesta desse lugar à angústia tão depressa. Nevada tinha sofrido de síndrome de morte súbita do lactente e após três dias de ventilação no Hospital de Orange County foi preciso desligar as máquinas. Elon disse à mulher que não queria falar sobre a morte do filho. Seria demasiado doloroso. Optaram por voltar a ter filhos tão cedo quanto possível e, dois meses depois, foram a uma clínica de fertilização in vitro. Nos cinco anos seguintes, tiveram cinco filhos: primeiro gémeos e depois trigémeos. Na vida, como nos negócios, nunca mais olhou para trás.

MUDAR UM MUNDO, CRIAR O PRÓXIMO

Musk defende que não entra nos negócios para ganhar dinheiro. Ou que, pelo menos, esse não é o seu objetivo principal. Apenas cria o que considera ser necessário para resolver problemas existentes ou fazer renascer sectores que se julgavam esquecidos (ou ultrapassados). El Segundo, em Los Angeles, tornou-se o quartel-general da SpaceX, criada com o objetivo de recomeçar o negócio americano dos foguetões depois de 50 anos em que, para Musk, tinha havido poucos desenvolvimentos. O mercado estava tomado por gigantes, que dependiam de chorudas ajudas estatais, e um novo player, capaz de fazer tudo mais barato, vinha baralhar um jogo muito viciado.

As cartas estavam na mesa e Elon não resistia a fazer all in sem pensar nas consequências. Anunciou desde logo as datas para vários dos lançamentos da sua nova empresa, com o primeiro foguetão a chamar-se “Falcon 1”, em honra à nave Millennium Falcon de “Star Wars”. Para o empresário, só seria possível entrar numa nova fase da aviação espacial se se começasse a toda a velocidade e conseguisse baixar os custos de cada operação. Depois de enfrentar muitas respostas negativas e de passar por algumas privações. Os problemas não se resumiam à operação da SpaceX, também a Tesla, em que entrara pouco tempo depois da fundação, estava em maus lençóis. A criação do Roadster não correra como planeado e cumprir os prazos tornava-se cada vez mais difícil. Naquele período, entre 2007 e 2008, as contas de ambas as empresas emagreciam a olhos vistos e era preciso arranjar capital tão rápido quanto possível. Pelo meio, a crise financeira fez congelar o investimento e o acesso ao crédito era escasso. O sonho de alcançar o espaço e percorrer as estradas sem recurso a combustíveis fósseis trouxe outra amargura nesse ano: o divórcio de Justine. Musk passava demasiado tempo a resolver os problemas nas empresas e o casamento foi o elo mais fraco.

Constantemente em viagem, Elon deslocou-se a Londres para conhecer a fábrica da Aston Martin e, depois de um balde de água fria do CEO (que o tratou como um amador), acabou por aceitar o convite do amigo e investidor Bill Lee. Decidiram aproveitar a noite na capital britânica e entraram na discoteca Whisky Mist, em Mayfair, onde Musk conheceu a jovem Talulah Riley. A atriz viria a ser sua esposa por duas vezes, primeiro encantada com a intensidade de Musk, depois por perceber que não encontraria ninguém melhor do que ele.

No final de 2008, e com a corda na garganta, Elon Musk teve de usar toda a sua criatividade para se safar da bancarrota e salvar as empresas. Podia ter optado pela Tesla ou pela SpaceX, com a garantia de que uma se salvava, ou apostar nas duas e correr o perigo de perder tudo. Já não era a primeira vez que estava à beira do abismo e decidia saltar, pelo que voltou a arriscar e lançar duas campanhas em simultâneo. Era o tudo ou nada. All-in. Pediu aos investidores da Tesla para voltarem a acreditar nele (e no futuro) e, mesmo com a oposição de uma empresa que tentou liquidar a construtora de automóveis, conseguiu evitar a insolvência a poucas horas de esta se materializar.

O milagre da SpaceX aconteceu com a assinatura de um contrato com a NASA, num golpe de sorte e de persistência que podia ter corrido muito mal. Michael Griffin, que passou de quase fundador da SpaceX a opositor declarado de Elon, era o novo líder da agência espacial do Governo americano, mas isso acabou por não impedir a compra de 12 viagens à estação espacial por mil milhões e 600 mil dólares. As contas voltaram a equilibrar-se, mas Musk não estava contente. Queria mais e sabia que era necessário continuar a apostar em várias frentes.

Tem vencido em todas. Nos últimos anos, e contra as previsões de grande parte dos analistas, Elon conseguiu que a gama Tesla crescesse: agora já conta com o sedan Model S e com o SUV Model X — nenhum isento de problemas, é certo. Além disso, fez da SpaceX um dos nomes maiores do negócio do espaço: tem testado foguetões reutilizáveis capazes de levar remessas para o espaço e aterrar com precisão nas suas plataformas de lançamento na viagem de regresso. Quanto à SolarCity, também há novidades e deve acelerar o crescimento após a correção daquilo a que Musk chama “acidente da história”: a Tesla e a SolarCity fundiram-se, tal como Elon queria desde o início, e as parcerias entre as duas empresas vão intensificar-se. Os telhados solares, compostos por telhas que são em simultâneo painéis fotovoltaicos, prometem dar que falar e Elon espera que estes sejam “tão atrativos como os carros elétricos acabaram por se tornar”.

DAR DE COMER AOS ASTRONAUTAS

O ritmo a que as novidades chegam tem vindo a crescer e o futuro parece promissor. A 19 de fevereiro, e depois de ter adiado a descolagem por questões técnicas, a empresa lançou o foguetão “Falcon 9” — equipado com a cápsula não tripulada Dragon, carregada com 2267 quilos de alimentos e equipamento para os seis astronautas que vivem na Estação Espacial Internacional (ISS) — a partir de Cabo Canaveral. A descolagem aconteceu da plataforma 39A (construída para as primeiras missões da NASA à Lua), mas as atenções estavam direcionadas para a aterragem. Correu bem e o “Falcon 9” aterrou pela primeira vez em terra firme (até aqui a operação era feita no oceano). Quanto à Tesla, começou a fazer testes de produção do seu Model 3 no último mês e espera inaugurar a sua Gigafactory ainda este ano, que ajudará a acelerar a produção com novas baterias. A Europa, Portugal incluído, mantém a esperança de ter uma segunda fábrica do género, mas isso ainda está longe de acontecer.

Workaholic confesso, Musk continua a ter na capacidade de planeamento um dos seus maiores trunfos e, apesar da loucura dos seus horários, consegue ter tempo para (quase) tudo. À segunda, arranca da sua mansão em Bel Air, um dos bairros residenciais mais exclusivos de Los Angeles, de carro e o dia é passado na SpaceX, assim como metade da terça-feira. Depois é tempo de seguir de jato para os arredores de São Francisco, dividindo o tempo entre a sede de Palo Alto e a fábrica de Fremont nos dois dias seguintes.

Contrariamente ao que seria de esperar, Elon não tem casa no norte da Califórnia e tem duas opções na hora de arranjar dormida: ou fica em casa de amigos, onde dorme no quarto de hóspedes ou no sofá depois de algumas horas a descontrair com jogos de vídeo, ou opta por uma noite descansada no luxuoso hotel Rosewood Sand Hill (a apenas sete minutos de carro dos headquarters da Tesla). À quinta, dia em que termina a sua semana laboral, regressa a LA e à SpaceX, uma vez que o seu papel na instaladora de painéis solares residenciais SolarCity, da responsabilidade dos primos Lyndon e Pete Rive, não é tão relevante. Depois o tempo é dedicado aos filhos, de quem tem a custódia partilhada e com quem passa quatro dias por semana.

Apesar de todo o sucesso, o homem das energias verdes continua a ser controverso e o seu lugar como conselheiro económico de Donald Trump (mais uma obrigação na agenda) é um dos assuntos que lhe pode custar as boas graças da opinião pública. Outrora próximo da Administração Obama, Musk decidiu aceitar o convite do novo Presidente norte-americano e promete não abandonar o cargo. Justifica a decisão por querer ser “a voz da razão”. “Como poderá ser positivo só ter extremistas a aconselhá-lo?”, pergunta aos que o seguem no Twitter, ao mesmo tempo que pede aos ativistas para corrigirem a trajetória. “Deveriam pressionar no sentido de existirem mais moderados a aconselhar o Presidente”, avisa. Não se tratará apenas de fazer o bem. Com as suas empresas concentradas em solo americano, o protecionismo económico pode valer-lhe muitos milhões de dólares. E Musk nunca perdeu a oportunidade para lucrar. Como diz a ex-mulher, a pessoa que provavelmente melhor o conhece, este é o mundo do Elon. “Nós, os outros, apenas vivemos nele.”