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Alegado ataque com armas químicas faz 12 feridos em Mossul

ALAA AL-MARJANI/GETTY IMAGES

Ataque ocorreu na zona leste de Mossul, recuperada pelas tropas iraquianas no final de janeiro. Ainda não foi atribuído a nenhuma das partes envolvidas no conflito, mas os morteiros terão sido disparados a partir da zona oeste, controlada ainda pelo Estado Islâmico. Ao que tudo indica, trata-se do primeiro ataque com armas químicas desde o início dos combates em Mossul entre o Exército e o grupo radical islâmico

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A Organização Mundial de Saúde (OMS) ativou um plano de emergência em resposta a um alegado ataque com armas químicas de que foram vítimas 12 pessoas em Mossul, no Iraque, onde as tropas iraquianas, apoiadas pelos EUA, combatem o autoproclamado Estado Islâmico.

Em comunicado divulgado esta semana, a OMS informa que as vítimas do ataque deram entrada num hospital em Erbil (capital regional curda, a cerca de 80 km de Mossul) a 1 de março, apresentando problemas respiratórios, queimaduras e outros problemas de pele (como irritação e bolhas), olhos vermelhos, vómitos e tosse. Das 12 pessoas, quatro “apresentavam sinais graves associados à exposição a um agente químico altamente tóxico”. “A OMS está extremamente preocupada com o uso de armas químicas em Mossul, onde civis inocentes já enfrentam um sofrimento inimaginável como resultado do conflito em curso”, lê-se no comunicado.

Na sexta-feira, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês) informou, também em comunicado, que cinco crianças e duas mulheres receberam tratamento devido à exposição a agentes químicos. Em declarações à BBC, um médico da organização disse que, entre as vítimas, se encontra um recém-nascido e um rapaz de 11 anos, que deu entrada no hospital com problemas respiratórios e problemas de pele “muito graves”.

Lise Grande, coordenadora humanitária da ONU para o Iraque, apelou a uma investigação “imediata” e disse que o uso de armas químicas “corresponde a uma violação grave do direito humanitário internacional e constitui um crime de guerra, independentemente dos alvos e das vítimas”. O ataque ocorreu na zona leste de Mossul, recuperada aos rebeldes do autoproclamado Estado Islâmico no final de janeiro. Ainda não foi atribuído a nenhuma das partes envolvidas no conflito, mas os morteiros foram alegadamente disparados a partir da zona oeste, controlada ainda pelo grupo radical islâmico. Tão-pouco se sabe ainda qual foi a substância química usada.

Depois de reconquistar a zona leste de Mossul, as tropas iraquianas iniciaram a 19 de fevereiro uma ofensiva sobre o oeste da cidade. Desde então, mais de 57.000 civis já abandonaram as suas casas, informou este domingo o Ministério das Migrações iraquiano. Em comunicado, Jassim Mohammed Al-Jaaf, ministro das Migrações, adianta que os deslocados receberam ajuda e que o exército, a polícia e outros parceiros estão a colaborar para “prestar o melhor serviço aos deslocados e aliviar o seu sofrimento”. O ministro assegura ainda que o Governo iraquiano está preparado para receber 100.000 deslocados nos campos de acolhimento existentes.

Um relatório divulgado também este domingo pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) indica que cerca de 286 mil pessoas foram obrigadas a deixar Mossul desde o início dos combates entre as tropas iraquianas e o autoproclamado Estado Islâmico, em outubro do ano passado.