Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Pedido de desculpa não chegou e Malásia vai mesmo expulsar embaixador da Coreia do Norte

Kang Chol, embaixador da Coreia do Norte na Malásia

MANAN VATSYAYANA/GETTY IMAGES

Embaixador foi declarado 'persona non grata' por causa dos seus ataques às investigações da Malásia sobre o caso do assassínio do meio-irmão do líder da Coreia do Norte, no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Kang Chol, que deveria ter pedido de desculpa por ter acusado os dirigentes malaios de estarem “em conluio com forças externas”, isto é, com a Coreia do Sul, tem 48 horas para abandonar o país

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

As autoridades da Malásia informaram este sábado que vão expulsar o embaixador da Coreia do Norte, na sequência do caso do assassínio do meio-irmão do líder de Pyongyang, no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Kang Chol tem 48 horas para abandonar o país.

“O embaixador foi declarado persona non grata”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros malaio num comunicado, adiantando que ainda não recebeu um pedido de desculpa por causa do ataque da Coreia do Norte às suas investigações sobre o caso. Em fevereiro, Kang Chol acusou os dirigentes da Malásia de estarem “em conluio com forças externas”, referindo-se à Coreia do Sul. “A expulsão do embaixador da DPRK (Coreia do Norte) é ... uma indicação da preocupação do Governo de que a Malásia possa ter sido usada para atividades ilegais”, adianta o comunicado.

Kim Jong-nam, meio-irmão do líder da Coreia do Norte, foi assassinado a 13 de fevereiro por duas mulheres que, segundo as autoridades malaias, lançaram veneno VX contra o seu rosto, provocando a sua morte poucos minutos depois, já a caminho do hospital. Considerado altamente tóxico, o agente nervoso VX está classificado pelas Nações Unidas como uma arma de destruição em massa e está proibido pela Convenção de Armas Químicas.

Também este sábado, Ri Jong-chol, o norte-coreano que chegou a ser dado como suspeito do assassínio de Kim Jong-nam mas foi, na sexta-feira, deportado por falta de provas, afirmou, perante os jornalistas presentes na embaixada da Coreia do Norte em Pequim, ter sido vítima de uma “conspiração” orquestrada pela Malásia para pôr em causa “o estatuto e a honra” do seu país. Ri Jong-chol, que foi detido a 17 de fevereiro, quatro dias depois da morte do meio-irmão do líder norte-coreano, acusou a polícia malaia de ter ameaçado matar a sua família caso ele não confessasse o seu envolvimento no crime. Ter-lhe-á sido mostrada, inclusive, uma fotografia da mulher e dos filhos, para reforçar a ameaça. “Se aceitares tudo”, disseram-lhe alegadamente os agentes que o interrogaram, “podes ter uma boa vida na Malásia”. “Foi aí que eu percebi que era uma armadilha (...). Eles estavam a conspirar para manchar a reputação do meu país”, disse aos jornalistas.

Na quarta-feira, a Coreia do Norte qualificou de “absurda” a conclusão da Malásia de que Kim Jong-nam foi morto com veneno VX. A agência oficial norte-coreana KCNA escreveu que a alegação, no relatório da autópsia, de que pequenas quantidades do veneno extremamente tóxico foram detetadas no cadáver, é “um absurdo” a que falta “rigor científico e coerência lógica”.

Já na quinta-feira, um emissário da Coreia do Norte enviado à Malásia para reclamar o cadáver de Kim Jong-nam negou que este tenha sido assassinado com veneno e atribuiu a sua morte a um ataque de coração. Ri Tong Il, embaixador da Coreia do Norte na ONU, negou igualmente a versão malaia numa declaração à imprensa diante da embaixada norte-coreana, segundo o canal televisivo Channel News Asia. Ri afirmou ainda que, se a causa da morte fosse o veneno VX deveriam ser enviadas amostras do agente tóxico para a Organização para a Proibição de Armas Químicas.