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Internacional

Conversações para a paz na Síria terminam sem um “resultado claro”

Staffan de Mistura, enviado especial da Organização das Nações Unidas para a Síria.

MARTIAL TREZZINI

Ronda de conversações foi, porém, “mais positiva” do que as anteriores, afirmou Nasr al-Hariri, chefe da delegação da oposição síria. O enviado especial da Organização das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, mostrou-se satisfeito com o resultado das negociações, que produziram uma “agenda comum”

Helena Bento

Jornalista

As conversações de paz sobre a Síria terminaram na sexta-feira, em Genebra, sem um “resultado claro”, embora o balanço seja mais “positivo” do que o das rondas negociais anteriores, afirmou Nasr al-Hariri, chefe da delegação da oposição síria, durante um encontro com jornalistas. “Pela primeira vez, discutimos de uma maneira aceitável, em profundidade, as questões do futuro da Síria e a transição política”, acrescentou. As anteriores negociações, realizadas em abril de 2016, foram suspensas depois de ter sido quebrado um acordo de cessar-fogo e as duas partes envolvidas, regime sírio e oposição, terem retomado os combates.

A quarta ronda de conversações entre o regime sírio do Presidente Bashar al-Assad e a oposição, mediada pelas Nações Unidas, começou a 23 de fevereiro, em Genebra, e terminou na sexta-feira. Deverão ser retomadas no final do março, anunciou o enviado especial da Organização das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, que, à semelhança do chefe da delegação da oposição síria, mostrou-se satisfeito com o resultado desta ronda, que produziu “uma agenda comum”. “É agora claro para todos que estamos aqui para implementar a resolução 2254 do Conselho de Segurança. Isso é indiscutível”, disse de Mistura, citado pela Al-Jazeera. A resolução, recorde-se, apela a um processo político liderado pela Síria, com mediação da ONU, com vista a estabelecer, dentro de seis meses, “uma governação credível, inclusiva e não-sectária”, estabelecendo um cronograma para a elaboração de uma nova Constituição, com eleições “livres e justas” a serem realizadas no prazo de 18 meses, sob a supervisão das Nações Unidas.

Os últimos dias de negociações ficaram marcados pelas declarações de Bashar al-Jaafari, representante do regime de Damasco em Geneva, que acusou a oposição, representada pelo Alto Comité de Negociações (HNC, na sigla em inglês), de “sequestrar” as negociações de paz, ao recusar incluir o tema do terrorismo na agenda de trabalhos, reivindicação que se tornou especialmente central para o regime após o atentado suicida em Homs, no passado fim de semana, que fez mais de 40 mortos, entre eles o chefe dos serviços de informação militar da cidade, muito próximo de Bashar al-Assad. “Os progressos na ronda de Genebra não podem ficar reféns da plataforma de Riade”, afirmou então Bashar al-Jaafari, referindo-se ao HNC, que é apoiado pela Arábia Saudita. A oposição “será responsável por qualquer falhanço das conversações de Genebra”, disse ainda Jaafari, para quem esta resposta da oposição não foi, porém, uma “surpresa”, uma vez que “muitos dos membros do HNC são considerados terroristas”.

Embora a oposição tenha, inicialmente, mostrado reservas em incluir o tema do terrorismo na agenda de trabalhos, por recear que o regime sírio utilizasse isso como desculpa para não abordar outros assuntos considerados prioritários, como a transição política e a realização de eleições, a verdade é que esta quarta ronda de negociações terminou com a oposição a aceitar incluir o terrorismo na agenda, que inclui já outros três grandes temas: governação, constitituição e eleições. Nas suas primeiras declarações após o fim da ronda de negociações, Bashar al-Jaafari esclareceu que regime e oposição concordaram em tratar os quatro temas de igual forma, em termos de peso e importância.