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Fillon cada vez mais sozinho

JULIEN WARNAND/EPA

Entre os mais de 60 parlamentares que retiraram o apoio ao candidato presidencial francês está o próprio tesoureiro da campanha. O conservador não cede, mas já poucos acreditam que consiga chegar às urnas

É o caos em plena campanha às presidenciais francesas, com os Republicanos à beira da rutura e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin a sintetizar o sentimento comum ao afirmar que François Fillon está a levar os seus apoiantes “para o abismo”. Desde que estalou o escândalo envolvendo o candidato presidencial, formalmente investigado pelos alegados falsos empregos criados para a mulher e os filhos, sucedem-se as “desistências” à sua volta, sendo já mais de 60 os parlamentares que se afastaram - incluindo o próprio tesoureiro da campanha.

Teimosamente, Fillon não desiste. “As bases aguentam, seguirei até ao fim”, afirmou, citado pelo “El Mundo”, ainda que poucos acreditem já que tenha condições para isso.

Em fundo há outra preocupação a crescer, uma vez que parte do eleitorado conservador começa a aproximar-se de Marine Le Pen.

Jean-Baptiste Lemoyne, senador independente próximo dos Republicanos, acusa Fillon, não apenas de conduzira direita à derrota,mas também de estar a ajudar à subida da Frente Nacional no que às intenções de voto duz respeito.

Perante o processo judicial e os desenvolvimentos a que este conduziu - a casa do candidatoem Paris foi na quinta-feira alvo de buscas policiais -mesmo os mais próximos não perdoam que Fillon não renuncie à candidatura, aliás como tinha prometido fazer, caso fosse imputado.

Num artigo de opinião publicado no “Le Figaro”, Dominique de Villepin qualifica mesmo como “psicodrama” a obstinação de François Fillon.

Mas o candidato mostra-se agora confiante no efeito de uma manifestação de apoio, convocada para domingo, em Paris, pela sua campanha. Fillon acredita que uma grande afluência pode conseguir travar o movimento de saídas que enfrenta.

Na quinta-feira à noite em Nimes, perante uns 3.000 apoiantes, voltou a falar das “forças que nos criam obstáculos” e disse não estar disposto a falar sobre as “pequenas operações políticas”, numa referência às divis~ões ionternas. Sem vacilar, repetiu a ideia base da sua campanha, afirmando-se como o único na corrida capaz de “salvar a França”.