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Eleições francesas: Fillon pondera desistir e Juppé pondera candidatar-se

Alain Juppé e François Fillon.

MARTIN BUREAU/GETTY IMAGES

François Fillon garantiu abandonar a corrida às presidenciais na próxima semana caso não sinta, no comício que vai realizar-se no próximo domingo, em Paris, que a sua candidatura tem o apoio e a força suficientes, e Alain Juppé só irá apresentar-se na corrida ao cargo caso sinta uma “vaga de fundo” a apoiá-lo, “um apoio amplo” não só por parte dos seus atuais apoiantes, como também de outros políticos. Eis os atuais dilemas da candidatura da direita às eleições presidenciais francesas

Helena Bento

Jornalista

Tem sido uma semana e tanto para François Fillon, o candidato da direita às eleições presidenciais francesas que está a ser investigado pelo alegado uso de fundos parlamentares para pagar à mulher e a dois filhos por empregos fictícios. Depois de ter anunciado que foi convocado para se apresentar aos juízes de instrução e de ter visto mais de 80 parlamentares, incluindo o ex-ministro da Agricultura e seu assessor de campanha, Bruno Le Maire, retirarem-lhe o apoio, Fillon estará afinal a ponderar abandonar a corrida ao cargo, revelou uma fonte próxima do candidato, citada pelo “Politico”. Mais há mais novidades: Alain Juppé, que foi derrotado por Fillon nas primárias da direita realizadas em novembro e apontado como o favorito para o substituir desde que rebentou o escândalo dos empregos fictícios, responsabilidade que até agora recusou, estará afinal a ponderar apresentar-se na corrida às eleições presidenciais para pôr fim a uma situação que lhe parece um “suicídio coletivo”, avançou o jornal “Le Parisien” esta sexta-feira.

Comecemos por François Fillon. Na quarta-feira, o candidato da direita confirmou, em conferência de imprensa, que foi convocado para se apresentar aos juizes de instrução a 15 de março, mas garantiu também que não vai “desistir”, nem “render-se”, nem tão-pouco “abandonar a corrida”, porque “só o voto popular, e não um procedimento legal enviesado, pode decidir quem será o próximo Presidente de França”. Descontente com a atitude de Fillon, que prometera abandonar a corrida ao cargo caso fosse constituído arguido, Bruno Le Maire foi o primeiro a retirar o seu apoio ao candidato.

Seguiram-se dezenas de outras deserções. O contador de desertores que o “Libération” tem no seu site indica que 100 parlamentares já abandonaram a campanha de Fillon. Entre eles, encontram-se políticos próximos de Le Maire, de Alain Juppé e de Nicolas Sarkozy. Até às 18h de quinta-feira tinham retirado o seu apoio 63 políticos. O dia de hoje fica marcado pela demissão de Thierry Solère, porta-voz do candidato presidencial francês. “Decidi terminar as minhas funções como porta-voz de François Fillon”, escreveu Solère na sua conta do Twitter. Já na segunda-feira, o partido de centro-direito francês União dos Democratas e Independentes (UDI) anunciara que ia suspender a sua participação na campanha de Fillon e o presidente do partido, Jean-Christophe Lagarde, disse que a direção da UDI vai reunir-se na próxima semana para decidir se retira completamente o apoio.

A vida não está, por isso, fácil para François Fillon. E Fillon já percebeu isso. Tanto que está a ponderar abandonar mesmo a corrida ao cargo na próxima semana, caso não sinta, no comício que vai realizar-se este domingo em Paris, na praça do Trocadero, que a sua candidatura tem o apoio e a força suficientes, revelou uma fonte próxima do candidato, citada pelo “Politico”. “Ele pode lutar contra juízes, mas não consegue lutar contra o seu próprio partido durante muito mais tempo”, disse a fonte, falando sob anonimato.

Se Fillon desistir, Alain Juppé pode saltar para o seu lugar, ao contrário do que tinha garantido até agora, revelou esta sexta-feira o “Le Parisien”. Juppé, avança o jornal, ficou “chocado” com a decisão de Fillon de manter a sua candidatura apesar das investigações em torno do uso indevido de fundos parlamentares para pagar a membros da sua família por emprego fictícios, e por isso está a ponderar avançar com uma candidatura às eleições presidenciais. Presidente da Câmara de Bordéus e ex-primeiro ministro entre 1995 e 1997, Juppé terá, no entanto, estabelecido algumas condições: só irá avançar com uma candidatura caso sinta uma “vaga de fundo” a apoiá-lo, “um apoio amplo” não só por parte dos seus atuais apoiantes, como também vindo de políticos que até agora estavam mais próximos de Bruno Le Maire ou Jean-François Copé.

François Fillon, que chegou a ser apontado como favorito nas sondagens para derrotar a candidata da extrema-direita Marine Le Pen, é suspeito de ter criado empregos fictícios para a mulher e dois filhos, os quais auferiram, no conjunto, mais de um milhão de euros provenientes de fundos parlamentares. Entre as possíveis acusações que enfrenta, figuram a apropriação indevida de fundos públicos, abuso de fundos públicos ou tráfico de influências.