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Trump quer construir muro de $20 mil milhões na fronteira com o México mas só tem disponíveis $20 milhões

HERIKA MARTINEZ / AFP / Getty Images

O Departamento de Segurança Nacional já tinha revelado que os custos com a controversa barreira deverão ascender aos 21,6 mil milhões de dólares. A Casa Branca tinha prometido que a infraestrutura só será financiada com fundos existentes nos cofres do Estado, mas de acordo com um novo documento consultado pela Reuters, o departamento ainda só encontrou disponíveis 20 milhões de dólares para pagar a obra

A promessa que Donald Trump fez sobre financiar a construção imediata de um muro na fronteira com o México recorrendo exclusivamente a fundos disponíveis nos cofres do Estado encontrou um enorme obstáculo, de acordo com um documento interno do Departamento de Segurança Nacional (DHS, na sigla inglesa) consultado pela Reuters.

No início do mês, a Casa Branca tinha garantido em comunicado que o início imediato da obra, tal como Trump prometeu durante a campanha e já depois de ter tomado posse com a promulgação de uma ordem executiva no final de janeiro, ia ser financiado "apenas com fundos e recursos existentes" que seriam depois "devolvidos" pelo México. Mas até agora o departamento ainda só encontrou disponíveis 20 milhões de dólares (quase 19 milhões de euros) que podem ser redirecionados para o projeto multimilionário — um que, segundo contas do próprio departamento, vai custar pelo menos 21,6 mil milhões (20,5 mil milhões de euros) a construir, o correspondente a 170 dólares por cada lar norte-americano.

Desde antes de tomar posse, Trump tem garantido que os contribuintes americanos não vão ter de dispender qualquer cêntimo para financiar o muro e que, em última instância, serão os mexicanos a sustentar os custos. O México garante que não vai financiar de maneira nenhuma uma infraestrutura que condena e que é contrária aos seus interesses. As contas agora apresentadas estão incluídas num documento que foi preparado pelo DHS a pedido do governo e que na semana passada foi distribuído entre os funcionários do Congresso ligados às comissões de Orçamento.

Nesse relatório que a agência Reuters consultou, é revelado que existem fundos suficientes para cobrir os pagamentos de protótipos e encomendas de projetos a empresas de construção mas não dinheiro suficiente para avançar com a construção em si. Na prática, isto significa que se Trump quiser avançar com a incendiária promessa de campanha, terá de convencer o Congresso de maioria republicana a alocar fundos de outros programas para investir no muro.

O Presidente já disse que vai pedir aos legisladores que aprovem o pagamento de tudo o que os fundos existentes não cobrirem sob a garantia de que o México será eventualmente forçado a devolver esse dinheiro aos contribuintes norte-americanos. A 26 de janeiro, uma semana depois de ter tomado posse, Trump anunciou que o seu governo está a estudar a possibilidade de aplicar um imposto extra de 20% sobre todas as importações mexicanas para recuperar os fundos investidos no alargamento da barreira já existente a toda a fronteira partilhada com o México. O governo de Enrique Peña Nieto e vários economistas avisaram de imediato que esse plano só vai conduzir à subida dos preços dos bens de consumo exportados pelo México para os Estados Unidos, o que em última instância vai pôr os americanos comuns a pagarem o muro.

Paul Ryan, líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, prometeu incluir a construção da barreira no orçamento federal para o próximo ano fiscal, para que o Estado cubra os custos da obra, segundo ele situados entre os 12 mil milhões e os 15 mil milhões de dólares, cerca de metade do valor calculado pelo DHS. Muitos representantes e senadores republicanos já garantiram que vão chumbar qualquer plano que não passe por compensar a alocação desses fundos com cortes na despesa pública.

A Reuters aponta que qualquer empresa que venha a ser contratada pelo governo para avançar com a construção do muro só pode começar os trabalhos depois de 6 de março, próxima segunda-feira. Neste momento, mais de 265 empresas já se alistaram no site da administração como "partes interessadas" no controverso plano de Trump.