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Parlamento Europeu suspende imunidade de Marine Le Pen

PATRICK SEEGER/EPA

Ação legal contra a líder da Frente Nacional e candidata da extrema-direita às presidenciais francesas pode assim avançar. Le Pen está sob investigação por publicar no Twitter imagens da violência do autoproclamado Estado Islâmico

O Parlamento Europeu suspendeu esta quinta-feira a imunidade parlamentar de Marine Le Pen, a candidata presidencial francesa de extrema-direita que está sob investigação por publicar no Twitter imagens da violência do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

A suspensão tem efeitos imediatos e confirma uma decisão preliminar tomada esta terça-feira pela Comissão de Assuntos Jurídicos da União Europeia. Significa isto que uma ação legal contra Le Pen pode avançar, contra a vontade da candidata, que pediu a suspensão das investigações até à realização das eleições, por considerar que um processo judicial interfere na campanha presidencial.

Em causa está a partilha no Twitter feita pela líder da Frente Nacional de três imagens de execuções cometidas pelo Daesh em 2015. Uma delas mostra a decapitação do jornalista americano James Foley. De acordo com a lei francesa, trata-se de um crime aque pode ser punido com penas de três anos de prisão e uma multa de 75 mil euros.

Há instrumentalização da justiça, diz Marine Le Pen

A decisão do Parlamento Europeu foi anunciada no mesmo dia em que Marine Le Pen considerou que a campanha para as presidenciais francesas está a ser marcada pela instrumentalização da justiça. Outro caso em foco é o processo judicial levantado ao líder da direita François Fillon, por ter alegadamente criado empregos fictícios para a mulher e dois filhos.

Em entrevista à cadeia LCP, a candidata queixa-se, em particular, da “lentidão” e “aceleração” dos procedimentos realizados “poucos dias antes das eleições presidenciais” e considera que “alguns juízes de instrução podem ser objeto de pressões do Ministério Público e este pode ser objeto de pressão política do Ministério da Justiça”.

Marine Le Pen recusou há dias prestar declarações à polícia no âmbito de outra investigação em curso, sobre o uso indevido de fundos do Parlamento Europeu e a criação de empregos fictícios.

Convocada esta quarta-feira para ser ouvida pelos investigadores, a eurodeputada recusou estar presente, conforme confirmaram fontes próximas do inquérito.

O inquérito está relacionado com suspeitas de que membros da Frente Nacional enganaram o Parlamento Europeu em várias centenas de milhares de euros, utilizando assistentes parlamentares europeus nas atividades políticas do partido.

As sondagens mais recentes mostram que Marine Le Pen é a grande favorita da primeira volta das presidenciais francesas, mas que será ultrapassada na segunda volta por Fillon ou pelo candidato independente Emmanuel Macron.

A primeira volta das presidenciais de França realiza-se a 23 de abril e a segunda a 7 de maio.