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Irlanda do Norte escolhe esta quinta-feira novo Parlamento

PAUL FAITH/GETTY

Sem um acordo de coligação entre unionistas e nacionalistas, a estabilidade da Irlanda do Norte ficará em causa. James Brokenshire advertiu que um impasse eleitoral poderá em última instância fazer regressar Belfast ao controlo direto de Londres

Os eleitores da Irlanda do Norte são chamados esta quinta-feira a eleger o novo Parlamento regional, pela segunda vez em menos de um ano. Serão eleitos 90 deputados da Assembleia da Irlanda do Norte, menos 18 do que nas últimas eleições, em maio de 2016, com vista ao corte de custos.

Após o apuramento dos votos, os dois partidos que são apontados como favoritos – o Partido Democrático Unionista e o Sinn Féin – deverão ter que alcançar um acordo para formar governo. No entanto, as diferenças entre os dois partidos têm-se acentuado e ambos têm subido de tom durante a campanha.

Vários analistas tem alertado para os riscos de instabilidade, caso não seja possível alcançar um acordo para um governo de coligação. O próprio ministro para a Irlanda do Norte, James Brokenshire, advertiu para as consequências do resultado eleitoral: “Estas eleições podem aumentar as diferenças e ameaçar a continuidade das instituições autónomas, fazendo em última instância regressar Belfast ao controlo direto de Londres.”

O governante salientou também a importância das eleições para a Irlanda do Norte poder negociar com a UE, na sequência do Brexit.

A eleição desta quinta-feira surge após a demissão do vice-primeiro-ministro Martin McGuinness (do partido Sinn Féin, SF, católico e defensor da união desta parte do Reino Unido com a República da Irlanda), depois da recusa da primeira-ministra Arlene Foster em afastar-se do cargo enquanto decorria um inquérito sobre um escândalo relacionado com um programa de incentivo para uso de energias renováveis. O partido recusou-se a nomear um substituto, forçando a convocação de novas eleições.

Por lei, as duas maiores figuras do governo regional da Irlanda do Norte têm de ser oriundos das fações republicana e unionista, não podendo uma delas governar sem a outra.

Desde a entrada em vigor do Acordo de Sexta-feira Santa de 1998, que levou a paz à Irlanda do Norte, o primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro têm de ser um protestante e um católico. Se um sair do cargo, terá de ser obrigatoriamente substituído para o executivo continuar a governar.