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25 e 63. Dois números que dizem muito sobre a campanha de François Fillon

JULIEN WARNAND/EPA

Candidato presidencial da direita francesa pode não desistir da corrida ao Eliseu, mas começa a ter cada vez menos apoio. Registaram-se já várias deserções na sua equipa. O “Libération” tem uma aplicação disponível no seu site que vai atualizando o número de políticos que já abandonaram a campanha de Fillon. Até agora, foram 63

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Apenas 25% dos franceses querem que François Fillon se mantenha na corrida para as presidenciais francesas, de acordo com uma sondagem da Harris Interactive para a revista “Atlantico”, publicada esta quinta-feira, que revela ainda que 83% dos eleitores acreditam que o candidato da direita vai perder as eleições.

François Fillon, que está a ser investigado pelo alegado uso de fundos parlamentares para empregos fictícios, como assessores, da mulher e de dois filhos, continua a garantir que não vai desistir da corrida às presidenciais. Esta quarta-feira, em conferência de imprensa, o candidato da direita anunciou que foi convocado para se apresentar aos juízes de instrução a 15 de março e garantiu que não vai “desistir”, nem “render-se”, nem “abandonar a corrida”. “Só o voto popular, e não um procedimento legal enviesado, pode decidir quem será o próximo Presidente de França”, disse Fillon, para quem o que está a acontecer não é apenas um “assassínio político”, expressão usada por muitos dos seus apoiantes e por ele próprio, ainda ontem, mas também o “assassínio de uma eleição presidencial”.

O candidato de 62 anos criticou ainda, na mesma conferência, a decisão dos juizes de prosseguirem, durante o período de campanha eleitoral, com as investigações em torno do alegado uso indevido de dinheiros públicos. A sondagem divulgada esta quinta-feira mostra, porém, que 77% dos inquiridos consideram que as investigações não devem ser suspensas.

Fillon pode não desistir da corrida, mas começa a ter cada vez menos apoio. Depois de na segunda-feira o partido de centro-direita francês União dos Democratas e Independentes (UDI) ter anunciado que ia suspender a sua participação na campanha de Fillon e de o presidente do partido Jean-Christophe Lagarde ter dito que a direção da UDI vai reunir-se na próxima semana para decidir se retira completamente o apoio, outros políticos colocaram-se à margem do candidato da direita. Entres eles, estão Gilles Boyer, tesoureiro da candidatura e antigo director da campanha de Alain Juppé, os legisladores Benoist Apparu, Edouard Philippe e Christophe Bechu, e ainda o vereador da Câmara de Paris Pierre-Yves Bournazel.

Mas a demissão mais polémica e que mais alarmes fez soar foi mesmo a do ex-ministro da Agricultura e destacado assessor da campanha Bruno Le Maire, que acusa Fillon de não ter cumprido o que prometeu, isto é, abandonar a corrida às presidenciais caso fosse constituído arguido.

O “Libération” tem uma aplicação disponível no seu site que vai atualizando o número de políticos que já retiraram o seu apoio ao candidato da direita. Até agora, são já 63. Entre os desertores, encontram-se vários apoiantes de Bruno Le Maire, Nicolas Sarkozy e Alain Juppé, finalista derrotado por Fillon nas primárias da direita, em novembro. Juppé tem sido apontado, aliás, como “um plano B” face à possibilidade de Fillon abandonar mesmo a corrida às presidenciais, mas tem reafirmado não estar disponível para avançar.

François Fillon, que até há cerca de um mês era apontado como favorito nas sondagens para derrotar a candidata da extrema-direita Marine Le Pen, é suspeito de ter criado empregos fictícios para a mulher e dois filhos, os quais auferiram, no conjunto, mais de um milhão de euros provenientes de fundos parlamentares. O candidato nega as acusações, assegurando que os empregos eram reais e admitindo apenas o “erro” de ter-se rodeado de “pessoas de confiança”. Entre as possíveis acusações que enfrenta, figuram a apropriação indevida de fundos públicos, abuso de fundos públicos ou tráfico de influências.