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Turismo para os EUA em queda livre desde que Trump foi eleito

Chris Hondros / Getty Images

Dados avançados esta terça-feira pelo motor de buscas Kayak revelam quedas de entre 32% e 58% na procura de voos para os destinos turísticos preferidos dos britânicos nos EUA. Ramo hoteleiro também está a ser castigado. Segundo a Associação Global de Viagens e Negócios, a indústria do turismo no país já perdeu 185 milhões de dólares em receitas desde que Trump ganhou as eleições

A eleição de Donald Trump em novembro está a ter um impacto negativo no turismo para os Estados Unidos, de acordo com um relatório do motor de buscas de viagens Kayak. A empresa sublinha que o interesse dos turistas em visitar para o país "caiu de um precipício" desde a tomada de posse do líder a 20 de janeiro e o consequente decreto anti-imigração que promulgou uma semana depois, que espalhou o caos em portos e aeroportos dos EUA e de outras partes do mundo antes de um tribunal de recursos de São Francisco ter ordenado a sua suspensão.

De acordo com os dados divulgados pela Kayak, no espaço de um mês foi registada uma queda de 58% nas buscas de voos para Tampa e Orlando a partir do Reino Unido, a par de quedas de 52% para Miami, 43% para San Diego, 36% para Las Vegas e 32% para Los Angeles. Apesar de os preços dos voos para os principais destinos turísticos americanos se manterem inalterados para já – demora semanas e não dias até as tendências de consumo neste ponto serem atualizadas face à realidade no terreno – a Kayak também identificou consequências negativas nos preços médios praticados pelo sector hoteleiro: em Las Vegas, as estadias estão agora 39% mais baratas e na cidade de Nova Iorque os preços caíram 32% desde janeiro.

O relatório do motor de buscas britânico vem juntar-se a outras análises sobre o impacto nocivo do novo governo americano e das suas estratégias políticas na indústria do Turismo, depois de a Associação Global de Viagens e Negócios (GBTA) ter sugerido que o sector já perdeu 185 milhões de dólares em receitas desde que Trump venceu as eleições de 8 de novembro. No início de fevereiro, a aplicação de voos Hopper já tinha detetado um padrão semelhante ao da Kayak, demonstrando num relatório estatístico que as buscas de voos para os Estados Unidos a partir do estrangeiro caíram 17% entre os seus utilizadores desde a tomada de posse de Trump, em comparação com os valores registados nas últimas semanas da administração Obama.

De acordo com a Hopper, a queda nas buscas de voos para os EUA foi maior no rescaldo da promulgação do decreto anti-imigração, com menos 30% de interesse de países de maioria muçulmana, incluindo muitos que não eram abrangidos pela ordem executiva – caso da Arábia Saudita, onde houve menos 33% de buscas em comparação com as semanas anteriores à tomada de posse de Trump, e do Bahrain, com uma queda de 37%. Apesar das quedas registadas em 94 de 122 países, a Hopper detetou uma notável exceção na Rússia, onda a procura aumentou 88%. A Hopper diz acreditar que estas alterações de tendências não têm a ver com questões sazonais, já que no ano passado foi apenas registada uma queda ligeira de 1,8% durante o mesmo período.

Num outro relatório divulgado no rescaldo do decreto antimuçulmanos, a empresa de análise ForwardKeys apurou que, na semana imediatamente a seguir à adoção do decreto, as reservas de voos dos países afetados pelas medidas para os EUA – Iémen, Iraque, Irão, Líbia, Síria, Somália e Sudão –caíram 80% em comparação com o mesmo período no ano passado. De forma global, houve uma queda de 6,5% nas reservas online de viagens para os EUA (à exceção da China), por causa do que a ForwardKeys diz ser um decreto que "tira vontade às pessoas de muitas regiões do mundo, e não só do Médio Oriente, em viajarem para os EUA".