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Internacional

Casa Branca acusada de disseminar notícias falsas para denegrir jornalista que está a investigar delações

MICHAEL REYNOLDS

Vale tudo no combate às denúncias do caos instalado no governo por fontes da Casa Branca à imprensa: Sean Spicer, chefe do gabinete de comunicações, está a passar revista aos aparelhos eletrónicos dos funcionários e é acusado de inventar mentiras para minar a credibilidade de um repórter que escreveu sobre isso

A Casa Branca foi acusada esta semana de tentar denegrir um dos jornalistas que têm estado a investigar as informações avançadas à imprensa sob anonimato por fontes internas, através de notícias falsas disseminadas junto de alguns meios de comunicação social.

No domingo, os jornalistas Alex Isenstadt e Annie Karni assinaram um artigo no "Politico" onde revelavam que Sean Spicer, diretor de comunicações da Casa Branca, tinha convocado uma reunião não-programada com os seus funcionários para investigar o conteúdo dos seus aparelhos eletrónicos à procura de pistas sobre quem é que está a passar informações à imprensa.

No artigo, Spicer era acusado por fontes anónimas de ter posto uma das suas assessoras em lágrimas depois de criticar o seu trabalho em frente aos colegas. "Spicer criticou duramente parte do trabalho da sua porta-voz Jessica Ditto e pô-la a chorar, de acordo com duas fontes familiarizadas com o incidente", escreveram os dois jornalistas.

O chefe de porta-vozes da Casa Branca reagiu de imediato à alegação, dizendo que "a única vez" que se lembra de "Jessica quase ficar emocional foi quando tivemos de transmitir a informação de que Ryan Owens morreu", disse sobre o soldado da Marinha que morreu numa controversa operação militar no Iémen.

De acordo com o "The Independent", seis horas e meia depois do artigo do "Politico" ter entrado em linha, o jornal "Washington Examiner" publicou uma história sobre Alex Isenstadt em que uma fonte anónima garantia que o jornalista adotou uma postura "desconsiderante" e que "se riu" quando Spicer falou de Owens na conferência de imprensa. "Ele começou a rir-se do militar" morto em combate, disse a "fonte oficial informada".

De imediato, a editora do "Politico" Carrie Budoff Brown acusou a Casa Branca de estar a plantar notícias falsas para denegrir o seu repórter, isto depois de, na semana anterior, o Presidente Trump ter dito que as fontes anónimas deviam ser banidas do jornalismo, apesar de há alguns anos ter recorrido a esse tipo de fontes quando quis alimentar a campanha contra Barack Obama, falsamente acusado de mentir sobre o local onde nasceu.