Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Rússia não vai apoiar novas sanções contra a Síria, garante Putin

MAXIM SHIPENKOV/GETTY IMAGES

Resolução que impõe sanções à Síria pelo alegado uso de armas químicas é votada esta terça-feira pelo Conselho de Segurança da ONU

Helena Bento

Jornalista

Resolução que impõe sanções à Síria pelo alegado uso de armas químicas, e que será votada esta terça-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, é “totalmente inoportuna”, pelo que a Rússia não vai apoiar quaisquer sanções contra o país, afirmou esta terça-feira Vladimir Putin, citado pelos meios de comunicação russos, numa conferência de imprensa em Biskek, no final do seu encontro com o Presidente do Quirguistão, Almazbek Atambayev.

A resolução contra o regime de Bashar al-Assad propõe a imposição de uma proibição de viajar e o congelamento de bens de 11 responsáveis sírios, na sua maioria militares, medida estendida também a 10 pessoas coletivas. Entre esses responsáveis, encontram-se Amr Armanzi, diretor-geral do Scientific Studies Research Center (SSRC), responsável pelo desenvolvimento e produção de armas químicas e mísseis fornecidos ao regime, e o diretor-geral de uma agência ligada ao ministério da Defesa sírio que terá auxiliado a produção das armas. O documento proíbe também a venda, o fornecimento ou a transferência de helicópteros e outro material para o regime sírio ou para as suas Forças Armadas.

Este projeto de resolução, promovido pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, três dos cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, além da Rússia e da China, segue-se a um inquérito conjunto conduzido pela ONU e a Organização para a Interdição das Armas Químicas, que concluiu em outubro que o regime sírio fez pelo menos três ataques com armas químicas em 2014 e 2015 contra três cidades sírias, Tell Mannas, Qmenas e Sarmin.

Putin assegurou que a adoção de sanções “não ajudaria ao processo de paz e seria apenas um obstáculo na confiança das negociações”. O embaixador adjunto russo na ONU, Vladimir Safronkov, já garantiu que Moscovo vai vetar a resolução, que descreveu como uma “provocação baseada em evidências insuficientes”. A Rússia já vetou por seis vezes resoluções com propostas de sanções contra o regime de Bashar al-Assad, seu aliado. A China, que também tem poder de veto, deve abster-se.

A postura de Moscovo foi imediatamente criticada pelos EUA. “Por quanto tempo mais é que a Rússia vai continuar a fazer de babysitter e a desculpar o regime sírio?”, questionou Nikki Haley, a embaixadora norte-americana junto das Nações Unidas, chamando depois a atenção para “as pessoas que morreram sufocadas até à morte” na Síria. “Isto é bárbaro. Os EUA não vão ficar calados”, disse.