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Rússia e China vetam sanções contra regime sírio por ataques com armas químicas

AFP/GETTY IMAGES

Projeto de resolução da ONU que previa sanções contra a Síria pelo uso de armas químicas em 2014 e 2015, contra três cidades do país, foi votado esta terça-feira. Além da Rússia e da China, também a Bolívia vetou a resolução. Cazaquistão, Etiópia e Egito abstiveram-se

Helena Bento

Jornalista

A Rússia e a China vetaram esta terça-feira o projeto de resolução da ONU que previa sanções contra a Síria pelo uso de armas químicas em 2014 e 2015, contra três cidades do país.

A resolução recebeu nove votos favoráveis e três contra, da China, Rússia e Bolívia. Cazaquistão, Etiópia e Egito abstiveram-se. É a sétima vez, em cinco anos, que Moscovo veta resoluções com propostas de sanções contra o regime de Bashar al-Assad, seu aliado. Em seis dessas ocasiões, a China apoiou o veto russo.

Já se esperava que a Rússia votasse contra a resolução; ainda esta terça-feira, o Presidente russo Vladimir Putin garantiu, à margem de uma conferência de imprensa em Biskek, e no final do seu encontro com o Presidente do Quirguistão, Almazbek Atambayev, que Moscovo não iria apoiar quaisquer sanções contra a Síria e classificou a resolução de “totalmente inoportuna”. Putin assegurou que a adoção de sanções “não ajudaria ao processo de paz e seria apenas um obstáculo na confiança das negociações”. O embaixador adjunto russo na ONU, Vladimir Safronkov, também já garantira que Moscovo iria vetar a resolução, que descreveu como uma “provocação baseada em evidências insuficientes”.

A embaixadora norte-americana junto das Nações Unidas, Nikki Haley, que criticara anteriormente a postura da Rússia em relação ao projeto de resolução promovido pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, manifestou o seu descontentamento diante dos membros do Conselho de Segurança, após serem conhecidos os resultados da votação. “É um dia triste para o Conselho de Segurança quando os membros começam a encontrar desculpas para outros Estados-membros que matam o seu próprio povo. O mundo está definitivamente mais perigoso”, disse a embaixadora.

A resolução contra o regime de Bashar al-Assad propunha a imposição de uma proibição de viajar e o congelamento de bens de 11 responsáveis sírios, na sua maioria militares, medida estendida também a dez “entidades”. Entre esses responsáveis, encontram-se Amr Armanzi, diretor-geral do Scientific Studies Research Center (SSRC), responsável pelo desenvolvimento e produção de armas químicas e mísseis que terão sido fornecidos ao regime, e o diretor-geral de uma agência ligada ao ministério da Defesa sírio que terá auxiliado a produção das armas. O documento proibia também a venda, o fornecimento ou a transferência de helicópteros e outro material para o regime sírio ou para as suas Forças Armadas.

Este projeto de resolução segue-se a um inquérito conjunto conduzido pela ONU e a Organização para a Interdição das Armas Químicas, que concluiu em outubro que o regime sírio fez pelo menos três ataques com armas químicas, em 2014 e 2015, contra três cidades sírias controladas pela oposição: Tell Mannas, Qmenas e Sarmin. O regime do Presidente sírio Bashar al-Assad já negou todas as acusações.