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Parlamento Europeu deverá levantar imunidade de Le Pen já esta semana 

MOHAMED AZAKIR / Reuters

Se assim for, as autoridades francesas poderão avançar com um processo contra a líder da Frente Nacional pelo crime de “publicação de imagens violentas”, que poderá ter uma pena de três anos de prisão e uma multa até 75 mil euros

Helena Bento

Jornalista

Os deputados da comissão de assuntos legais do Parlamento Europeu votaram esta terça-feira a favor do levantamento da imunidade parlamentar da líder da Frente Nacional e candidata às presidenciais francesas, Marine Le Pen, que está a ser investigada em França pela publicação de imagens de violência explícita do autoproclamado Estado Islâmico, em 2015, incluindo uma fotografia do corpo decapitado do fotojornalista norte-americano James Foley.

Segundo um responsável do Parlamento, 18 deputados votaram a favor do levantamento da imunidade e três votaram contra. O voto da comissão terá ainda de ser avaliado em plenário, o que deverá acontecer já na próxima quinta-feira, sendo expectável que a assembleia respeite a decisão da comissão. Se assim for, e a imunidade de Marine Le Pen for levantada, as autoridades francesas poderão avançar com um processo contra a líder da Frente Nacional pelo crime de “publicação de imagens violentas”, que pode ter uma pena de três anos de prisão e uma multa até 75 mil euros.

Marine Le Pen já reagiu ao resultado da votação: a decisão da comissão, disse a líder da Frente Nacional, “apenas mostra aos cidadãos franceses aquilo que a União Europeia é e aquilo que o Parlamento Europeu é”, e que tudo isso faz parte do “sistema” criado para impedi-la de “ser a candidata do povo francês”. Também Florian Philippot, vice-presidente do partido de extrema-direita, comentou a decisão da comissão, defendendo Le Pen com o argumento de que “mostrar o horror do islamismo permite-nos lutar contra ele”.

Já em 2013, fora levantada a imunidade parlamentar a Marine Le Pen, acusada de “incitamento à discriminação com base em crenças religiosas”, por ter comparado dois muçulmanos a rezar em público com a ocupação nazi de França durante a Segunda Guerra Mundial. O Ministério Públicou acabou, porém, por desistir da acusação.