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Internacional

França critica veto: Russos têm “uma pesada responsabilidade para com o povo da Síria”

Jean-Marc Ayrault, chefe da diplomacia francesa

Sean Gallup/Getty Images

Crimes de uso de armas químicas não podem ficar “impunes”, afirmou Jean-Marc Ayrault, ministro dos Negócios Estrangeiros francês. Projeto de resolução da ONU que previa sanções contra a Síria pelo uso de armas químicas foi votado hoje. Rússia e China votaram contra

Helena Bento

Jornalista

A França criticou esta terça-feira o veto da Rússia à resolução das Nações Unidas que visava impor sanções à Síria por causa do uso de armas químicas. O chefe da diplomacia francesa, Jean-Marc Ayrault, afirmou que os russos têm “uma pesada responsabilidade para com o povo da Síria e para com a humanidade” e defendeu que a resolução era “essencial para a paz e para a segurança internacional”.

A resolução foi proposta pela França, Reino Unido e Estados Unidos da América, mas esbarrou no veto da Rússia, que tem posto permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Esta é já a sétima vez, em cinco anos, que Moscovo veta resoluções com propostas de sanções contra o regime de Bashar al-Assad, seu aliado. Também a China e a Bolívia votaram contra a resolução, enquanto que o Cazaquistão, a Etiópia e o Egito se abstiveram.

“Na Síria, o uso de armas químicas pelo regime e pelo Daesh [acrónimo árabe do grupo terrorista Estado Islâmico], incluindo contra populações civis, é intolerável”, afirmou Ayrault. O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou que os crimes de uso de armas químicas não podem ficar “impunes”, lamentando profundamente que o Conselho de Segurança não tenha conseguido unir-se.

Também Nikki Haley, embaixadora norte-americana junto das Nações Unidas, criticou a decisão da Rússia de vetar a resolução. Diante dos membros do Conselho de Segurança, após serem conhecidos os resultados da votação, a embaixadora disse: “É um dia triste para o Conselho de Segurança quando os membros começam a encontrar desculpas para outros Estados-membros que matam o seu próprio povo. O mundo está definitivamente mais perigoso”.

A resolução contra o regime de Bashar al-Assad propunha a imposição de uma proibição de viajar e o congelamento de bens de 11 responsáveis sírios, na sua maioria militares, medida estendida também a dez “entidades”. Entre esses responsáveis, encontram-se Amr Armanzi, diretor-geral do Scientific Studies Research Center (SSRC), responsável pelo desenvolvimento e produção de armas químicas e mísseis que terão sido fornecidos ao regime, e o diretor-geral de uma agência ligada ao ministério da Defesa sírio terá auxiliado a produção das armas. O documento proibia também a venda, o fornecimento ou a transferência de helicópteros e outro material para o regime sírio ou para as suas Forças Armadas.

Um inquérito conjunto conduzido pela ONU e a Organização para a Interdição das Armas Químicas concluiu em outubro que o regime sírio levou a cabo pelo menos três ataques com gás de cloro em 2014 e 2015, contra três cidades sírias controladas pela oposição: Tell Mannas, Qmenas e Sarmin. O uso de gás de cloro com fins militares viola a Convenção para a Proibição das Armas Químicas, que a Síria ratificou em 2013, na sequência do acordo com os EUA e a Rússia.