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Internacional

Reino Unido deporta mulher casada há 27 anos com um britânico

Irene Clennell foi forçada a regressar a Singapura, deixando o marido e os dois filhos. O período que viveu fora do país, para cuidar da mãe, terá invalidado o seu estatuto de residente

Apesar de estar casada com um cidadão britânico há 27 anos, uma mulher foi deportada pelo Reino Unido e obrigada a regressar ao seu país de origem, Singapura.

O caso é contado pela BBC, a quem Irene Clennell explica que recebeu a notícia, sem aviso prévio. A viver perto de Durham, com o marido, os dois filhos – ambos com nacionalidade britânica – e uma neta, Cleneell passou mais de dois anos fora do país, para cuidar dos pais, o que parece ter invalidado o seu estatuto de residente no Reino Unido.

No sábado, após ter estado detida num centro desde o início de fevereiro, Irene Clennell foi levada numa carrinha para o aeroporto, sem lhe ter sido dada a hipótese, sequer, de contactar o seu advogado.

Uma petição foi já lançada, solicitando que seja autorizado o seu regresso para junto da família britânica. O caso é apontado como um dos maus exemplos, possíveis pela arbitrariedade na aplicação das leis da imigração.

Em 1992, a mulher recebeu uma autorização de permanência definitiva, dois anos após o seu casamento. O casal mudou-se para Singapura pouco tempo depois, tendo o marido regressado primeiro ao Reino Unido, em 1998, com os dois filhos. Irene adiou a sua reunião com a família, para cuidar da mãe, mas alega ter feito viagens frequentes para o Reino Unido durante esse período, tendo inclusive vivido no país entre 2003 e 2005, altura em que pediu diversas vezes novo visto para ficar – todos rejeitados.

Em 2007, foi impedida de entrar em território britânico e enviada de volta à chegada ao aeroporto, tendo requerido nova autorização em 2012, negada por alegadamente não ter conseguido provar que mantinha contacto com a família.

Só em 2013 voltou ao Reino Unido. Por três vezes mais pediu autorização de permanência e por três vezes mais viu o pedido rejeitado, o último dos quais já em 2016.

Indiferente aos argumentos a favor de Irene, os serviços oficiais limitam-se a dizer que todos os casos são analisados de acordo com as suas particularidades e de acordo com as leis em vigor, devendo “abandonar o país todos os que não tenham autorização para ficar”.