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Internacional

Quatro milhões de pessoas sem acesso a água potável em Santiago do Chile

VLADIMIR RODAS

Chuvas torrenciais e deslizamentos de terra provocaram pelo menos quatro mortos no fim de semana e contaminaram o rio Maipo, forçando as autoridades chilenas a cortar o acesso da população da capital à rede de abastecimento de água

Milhões de pessoas estão sem acesso a água potável na capital do Chile, Santiago, depois de um fim de semana marcado por chuvas torrenciais e deslizamentos de terras que provocaram pelo menos quatro mortos. Há 19 pessoas desaparecidas na sequência da tempestade, que provocou cheias em várias partes da capital e que levou à contaminação do rio Maipo, forçando as autoridades a suspenderem o acesso dos residentes de Santiago à rede de abastecimento de água potável.

Em pleno verão, a subida do nível da água em rios e ribeiras do centro do país levou a que pelo menos 373 pessoas ficassem isoladas nos vales de uma montanha perto de Santiago do Chile, avançou este domingo o Onemi, serviços de emergência do país. A Águas Ardinas, empresa que garante o abastecimento de água potável na capital chilena, diz que as chuvas continuam a dificultar as reparações da rede e que o retorno à normalidade vai depender das condições meteorológicas registadas nos próximos dias, raras nesta altura do ano naquela região do gloco.

A AFP diz que pelo menos quatro milhões de pessoas são diretamente afetadas pelos cortes na distribuição de água potável. "As equipas de emergência estão a trabalhar no terreno para conseguirem chegar às pessoas isoladas e para restabelecerem o acesso à rede de água assim que seja possível", disse no Twitter a Presidente chilena Michelle Bachelet. "Estamos a falar de cerca de 1,45 milhões de lares que vão ser afetados pelo corte no abastecimento de água em 30 distritos total ou parcialmente atingidos", acrescentou o governador regional de Santiago do Chile, Claudio Orrego. "Ainda não sabemos quando é que a rede de abastecimento de água potável vai poder ser reativada. Não podemos garantir a retomada dos serviços enquanto o rio Maipo não esvaziar."

Na região de O'Higgins, a sul da capital, uma rapariga de 12 anos perdeu a vida num deslizamento de terras após o carro em que seguia ter sido arrastado pelas águas lamacentas. No vale de São José de Maipo, logo acima de Santiago do Chile, as equipas de emergência continuavam esta segunda-feira de manhã a limpar os destroços das estradas para que os habitantes da zona pudessem ser retirados para locais mais seguros.

Esta é a segunda vez no espaço de um ano que o centro do Chile é atingido por grandes cheias. Em abril, chuvas torrenciais já tinham castigado o vale São José de Maipo, provocando um morto e levando à suspensão das atividades nalgumas das maiores minas de cobre do mundo. As empresas do sector mineiro Antofagasta, Anglo-American e a estatal Codelco têm grandes depósitos de cobre na zona mais afetada pelas chuvadas deste fim de semana; as três garantem que a produção nas suas minas não foi afetada pela tempestade.

De acordo com a BBC, a população da capital e das redondezas passou o fim de semana a armazenar garrafas de água mineral a conselho das autoridades, que já ordenaram que restaurantes e empresas permaneçam fechados na capital esta segunda-feira e que já adiaram o início do ano escolar, inicialmente marcado para hoje. As cheias na região dos Andes cortaram a circulação em várias estradas do centro do Chile, isolando dezenas de millhares de pessoas.