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Internacional

Polisário vê retirada de zona no Saara Ocidental como “areia para os olhos”

A Frente Polisário reitera a exigência da organização de um referendo de autodeterminação do povo saarauí

A Frente Polisário desvalorizou esta segunda-feira a retirada de Marrocos de Guerguerat, uma zona contestada do Saara Ocidental, como "areia para os olhos", num comunicado divulgado em Argel.

Marrocos anunciou no domingo uma retirada unilateral de Guerguerat, na fronteira com a Mauritânia, sudoeste do Saara Ocidental, uma iniciativa do rei Mohammed VI na sequência de um pedido do secretário-geral da ONU, António Guterres.

A decisão "mal esconde o desprezo de Rabat pela legitimidade internacional, a sua obstinação e a recusa de quase três décadas de aplicar" as resoluções da ONU sobre o Saara Ocidental, lê-se no comunicado divulgado no domingo à noite.

A Frente Polisário manifestou o seu apoio ao apelo de Guterres para "o respeito pelo espírito e pela letra do cessar-fogo em vigor desde 1991 e reiterou a exigência da organização de um referendo de autodeterminação do povo saarauí.

A tensão na antiga colónia espanhola anexada por Marrocos em 1975 aumentou em 2016 depois de a Polisário ter instalado um novo posto militar em Guerguerat, em resposta à decisão marroquina de construir uma estrada na "zona tampão", atribuída à Frente Polisário, que a considera "territórios libertados".

Segundo a imprensa marroquina, apenas quatro quilómetros de estrada foram construídos e os trabalhos estão suspensos desde dezembro devido a incursões da Frente Polisário.
Rabat justificou a construção da estrada com o "combate ao contrabando", mas os separatistas consideram que ela visa apenas alterar o 'status quo'.

Marrocos e a Frente Polisário combateram pelo controlo do Saara Ocidental entre 1974 e 1991, até à celebração de um cessar-fogo mediado pela ONU.

Rabat considera a antiga colónia parte do seu território e uma "causa nacional", propondo uma autonomia sob soberania marroquina, enquanto a Polisário, apoiada pela Argélia, exige o referendo sobre a autodeterminação.