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Pai de soldado morto em operação especial no Iémen ordenada por Trump recusa-se a conhecer o Presidente

Com o Presidente Trump a bordo, o helicóptero Marine One prepara-se para aterrar na base aérea de Dover, Delaware, a 1 de fevereiro. Uma semana depois de ter tomado posse, o líder norte-americano fez questão de acompanhar as honras militares à chegada aos EUA do corpo do marine que morreu numa operação desencadeada no Iémen

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP / Getty Images

“Lamento, não quero vê-lo. O Governo deve ao meu filho uma investigação. Porque é que esta missão estúpida tinha de acontecer nesta altura, quando eles só estavam no poder nem há uma semana?”

O pai do jovem soldado da Marinha que perdeu a vida numa operação especial ordenada pela administração Trump contra um alegado esconderijo da Al-Qaeda no Iémen diz que se recusou a conhecer o Presidente quando o corpo do seu filho foi trazido de volta para os Estados Unidos. "Lamento, não quero vê-lo", disse Bill Owens ao capelão responsável pelos serviços fúnebres, de acordo com um relato do próprio ao jornal "Miami Herald".

A missão de uma equipa de Seals da Marinha norte-americana, que culminou na morte do soldado William "Ryan" Owens, de 36 anos, aconteceu a 28 de janeiro, oito dias depois de Donald Trump ter tomado posse como 45.º Presidente dos EUA. Foi a primeira operação militar ordenada pelo novo Governo do país e uma que angariou duras críticas e a condenação de vários legisladores, incluindo o republicano e veterano de guerra John McCain, que disse que uma missão saldada em mortes de americanos e de civis não pode ser considerada um sucesso.

Há duas semanas, o chefe de comunicações da Casa Branca respondeu às acusações de que a missão foi um falhanço, escusando-se a dizer se estava a dirigir-se ao senador McCain, atualmente uma das vozes republicanas mais críticas do Presidente e da sua equipa.. "Penso que qualquer pessoa que ponha em causa o sucesso [daquela operação] deve um pedido de desculpas [ao Governo] e está a desrespeitar a vida do soldado Owens", disse o porta-voz Sean Spicer. "É esta a minha mensagem para qualquer pessoa que diga isso, qualquer pessoa."

"O Governo deve ao meu filho uma investigação", defende Bill Owens na entrevista publicada pelo "Herald" este domingo. "Porque é que esta missão estúpida tinha de acontecer quando eles [administração Trump] só estavam no poder nem há uma semana? Durante os dois anos anteriores, não houve botas no terreno no Iémen, era tudo mísseis e drones, porque não havia um único alvo que valesse uma vida americana. Agora, de repente, querem fazer este grande espetáculo?"

A operação, aprovada pelo Presidente Trump apenas seis dias depois de ter tomado posse, provocou a morte de mais de uma dezena de civis, incluindo pelo menos oito crianças entre elas uma com dupla nacionalidade americana. Três outros americanos ficaram feridos na missão da equipa especial da Marinha. Fontes da administração Obama já vieram desmentir que a missão tinha sido originalmente planeada e logo a seguir abandonada pela anterior administração por causa dos riscos que representava, uma informação que fontes internas da Casa Branca de Trump tinham avançado sob anonimato aos media.

De acordo com o "New York Times", a missão já estava condenada antes de ser autorizada, algo que os comandos como Ryan Owens sabiam por causa de comunicações intercetadas pelos serviços de informação da Marinha. "Eles sabiam que estavam lixados desde o início", denunciou um antigo membro da equipa 6 de Seals ao jornal. O Pentágono e a administração refutam esta versão e garantem que não havia qualquer indício de que a operação estivesse condenada ao fracasso.

"A missão tem angariado todo o tipo de críticas, mas levou à recolha de uma quantidade substancial de informações secretas importantes e de recursos que ajudaram a salvar vidas americanas e outras vidas", disse este domingo Sarah Huckabee Sanders, outra porta-voz da Casa Branca de Trump. Questionada sobre o pedido de inquérito feito pelo pai do soldado morto, Sanders disse acreditar que o Presidente Trump não teria problemas em aceitar a abertura de uma investigação ao que aconteceu.