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EUA: Rússia e separatistas devem “cumprir imediatamente” o cessar-fogo na Ucrânia

VALERI KVIT / EPA

Administração de Trump condena o ataque de sexta-feira dos separatistas pró-russos à missão da OSCE, acrescentando que “é imperativo que estas forças parem de atacar infraestruturas civis”

“Apelamos à Rússia e às forças separatistas para cumprirem imediatamente o cessar-fogo, retirarem a artilharia pesada e permitirem o acesso total e sem obstáculos aos observadores da Organização de Segurança e Cooperação na Europa, OSCE”, declarou este domingo, em comunicado, o departamento de Estado norte-americano.

Os Estados Unidos (EUA) condenaram ainda o ataque dos separatistas pró-russos à missão da OSCE na cidade de Yasynuvata, onde os observadores se encontravam a recolher informações sobre os recentes bombardeamentos ao centro de filtragem de água de Donetsk. Um ataque que, segundo o chefe de missão Ertugrul Apakan, citado pela BBC, “não é apenas uma ameaça direta às vidas dos homens e mulheres corajosos que dão o seu melhor para trazer a paz de volta à Ucrânia”, mas “uma ameaça direta à vontade coletiva dos 57 Estados que participam na OSCE e aos acordos de Minsk”.

Foi talvez por isso que os EUA sentiram necessidade de intervir. “Condenamos o ataque de sexta-feira aos observadores da missão especial da OSCE e a captura de um aparelho voador não tripulado [drone] pelas forças russas e separatistas”, reforçou o porta-voz da administração, Mark Toner, acrescentando que “é imperativo que estas forças parem de atacar infraestruturas civis”.

Toner garantiu ainda que os EUA estão alerta em relação à situação no leste da Ucrânia, onde se tem registado um intensificar da violência que reforça o falhanço dos acordos de Minsk, assinados há dois anos entre forças ucranianas e os separatistas pró-russos, que previam, entre outros pontos, o cessar-fogo num conflito que já provocou mais de 10 mil mortos em três anos.

O aviso dos EUA à Rússia e aos separatistas não é o primeiro da administração de Trump. Apesar dos receios iniciais em relação ao impacto que os laços entre Trump e Putin poderiam ter na situação no leste da Ucrânia, os EUA ainda não cederam na sua posição em relação ao conflito.

Embora Trump tenha ameaçado levantar as sanções contra a Rússia, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, assegurou recentemente ao Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, que os EUA não reconhecem a “ocupação com o objetivo de anexar” a Crimeia por parte da Rússia e apoiam “a soberania, integridade territorial e autodeterminação” da Ucrânia, tal como a aplicação completa dos acordos de Minsk.

Embora tenha sido acordada uma nova trégua na passada segunda-feira, nas últimas horas tem-se registado um recrudescimento da violência no leste da Ucrânia, com as forças governamentais a acusarem os separatistas de ferirem 16 soldados ucranianos.