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Atentados na Síria são “sombra” em Genebra, diz representante do regime de Assad na ONU

O representante do regime sírio junto da ONU, Bashar al-Jaafari, em Genebra

PIERRE ALBOUY / REUTERS

Os ataques suicidas que este sábado provocaram a morte a pelo menos 42 pessoas na cidade síria de Homs devem ser condenados pela ONU e rebeldes da oposição, exige Bashar al-Jaafari, representante do regime sírio nas negociações de paz em Genebra

No dia em que os representantes do Governo de Damasco, da oposição e das Nações Unidas (ONU) se reuniram em Genebra, na Suíça, para as negociações de paz na Síria, no país a violência continuava.

Este sábado ficou marcado por ataques suicidas realizados contra duas bases dos serviços de informação sírios em Homs, a terceira maior cidade do país, provocando a morte a pelo menos 42 pessoas. Entre elas está o chefe dos serviços de inteligência militar, o general Hassan Daabul, próximo do Presidente Bashar al-Assad, segundo avança o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

E o atentado não passou despercebido ao representante do regime sírio em Genebra. Bashar al-Jaafari sublinhou este sábado que o ataque na Síria não foi apenas “um ataque terrorista militar, mas também um ataque político”, constituindo “uma sombra” em Genebra.

Na sequência do atentado, Bashar al-Jaafari exigiu que a ONU e a oposição condenem o terrorismo. “Pedimos a Staffan de Mistura [enviado especial da ONU para a Síria] para fazer uma declaração a condenar os ataques em Homs. Exigimos a mesma declaração por parte de todos os participantes no processo de Genebra [oposição, representada pelo Alto Comité de Negociações].” E vai ainda mais longe, garantindo a Staffan de Mistura que “qualquer parte que recuse condenar os ataques de hoje” será considerada pelo regime “como um cúmplice do terrorismo”.

O chefe da delegação da oposição síria, Nasr al-Hariri, já condenou, em conferência de imprensa, “o terrorismo e os terroristas”, o Daesh e a Al-Nosra, antigo braço da al-Qaeda na Síria, na sequência dos ataques à cidade de Homs.

Também na sexta-feira um atentado suicida provocou mais de 50 mortos em Al-Bab, reconquistada pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), e outro contra um posto de controlo na entrada da cidade matou dois soldados turcos, segundo anunciou Ancara. Os dois atentados foram reivindicados pelo Daesh. Além destes, os bombardeamentos aéreos do regime de Damasco provocaram 32 mortes entre os rebeldes a oeste de Aleppo, avança o OSDH.

A continuação dos ataques tem sublinhado a ineficácia das conversações para a paz na Síria, que vai já na quarta ronda de negociações que pretendem colocar um ponto final numa guerra que já levou à morte de mais de 310 mil pessoas desde 2011.

Notícia atualizada às 22h53