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Internacional

Secretários de Estado norte-americanos recebidos com frieza no México

Mario Guzman/EPA

Em visita oficial, Rex Tillerson e John Kelly ouviram os governantes do país vizinho expressar a sua “preocupação e irritação” com as medidas anunciadas por Donald Trump. “Não haverá nenhuma deportação em massa”, garantiu o secretário de Estado da Segurança Interna dos EUA, numa tentativa de acalmar os ânimos

No México, em visita oficial com a difícil missão de tentar conciliar posições e recompor as estremecidas relações entre os Estados Unidos e o país, os secretários de Estado Rex Tillerson e John Kelly ( e de Segurança Interna) foram recebidos em clima de frieza.

Sem grande surpresa, ouviram ambos que as medidas anunciadas pelo Presidente Donald Trump sobre imigração, comércio e segurança estão a ser encaradas pelo governo mexicano com “preocupação e irritação”, o que os obrigou a suavizar alguns dos últimos anúncios feitos pela Casa Branca, num esforço para acalmar os ânimos.

Horas depois de Trump classificar as ações para deportar imigrantes em situação irregular como uma “operação militar”, John Kelly viu-se forçado a repetir algumas vezes que não haveria uso da força militar contra imigrantes residentes nos EUA.

“Não haverá nenhuma, repito, nenhuma deportação em massa”, afirmou durante uma conferência de imprensa, na presença do ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano Luis Videgaray.

Kelly também sublinhou que o “Departamento de Segurança vai atuar conforme o direito e respeitar os direitos humanos”, enfatizando que o “enfoque das deportações é sobre gente com antecedentes criminais”. “A amizade na nossa fronteira é importante e o que une os funcionários mexicanos aos funcionários dos Estados Unidos são laços de responsabilidade e amizade”, acrescentou.

Durante a visita, os representantes norte-americanos preferiram enfatizar os tradicionais laços que unem os dois países, apelando a um diálogo mais profundo sobre os difíceis dossiês.

Mas um dia antes do encontro, Luis Videgaray garantiu que o México não vai aceitar disposições que um outro Governo queira impor de forma “unilateral”. “Quero deixar claro e de maneira mais enfática que o governo e o povo mexicanos não têm de aceitar disposições de maneira unilateral de um governo que as quer impor a outro”, afirmou durante uma reunião com o alto-comissário da ONU para dos Direitos Humanos para o México. O ministro explicou porquê: “Porque não tem de o fazer e porque não é do interesse do país”.

As tensões são evidentes. No México, uma comissão legislativa prepara um decreto para definir e limitar a negociação do governo de Peña Nieto com os Estados Unidos. O texto deve estar pronto no prazo de duas semanas e inclui todos os pontos mais sensíveis: imigração, direitos humanos, comércio e economia, segurança na fronteira e a tão polémica intenção norte-americana de construir um muro.