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Internacional

EUA. Relatório critica gastos com deportação de imigrantes 

Spencer Platt/Getty Images

Auditoria revela que os Estados Unidos podiam ter poupado €38,7 milhões em voos fretados para deportar imigrantes. Custo pesa no bolso dos contribuintes

A administração norte-americana garante não pretender aprovar “deportações em massa”, mas os dois memorandos assinados esta semana para regulamentar o controlo migratório no território vão acelerar a expulsão de milhares de imigrantes sem documentos e antecedentes criminais, ou que são considerados perigosos, refere o “The New York Times”. Ora, esta medida irá aumentar os gastos com os voos fretados para países que recebem um elevado número de deportados, custos que serão suportados pelos contribuintes norte-americanos.

Um relatório divulgado esta quinta-feira pelo site Quartz revela que o Serviço de Fiscalização de Imigração e Alfândega gastou 464 milhões de dólares (438 milhões de euros) em voos fretados para transportar imigrantes entre outubro de 2010 e março de 2014. No total, foram transportados mais de 930 mil imigrantes durante esse período.

A Ice Air Operations diz ter transportado centenas de milhares de imigrantes para a fronteira ou os seus países de origem, como Salvador, México e Honduras. Muitos são transportados para cidades como Phoenix, San Diego e Brownsville, Texas, de onde seguem depois em autocarros para o outro lado da fronteira.

Na sua maioria, são transportados para países da América Central, embora também sejam fretados voos para a Europa, Ásia e África, para deportar imigrantes, refere o relatório.

Em média, a Ice Air Operations paga 8419 dólares (7948 euros) por hora de voo, nos voos fretados, independentemente do número de pessoas transportadas. Mas é comum haver muitos assentos vazios nesses voos, aspeto que é alvo de crítica por parte do Departamento de Segurança Interna numa auditoria realizada em 2015.

De acordo com os auditores, a administração norte-americana poderia ter poupado 41 milhões de dólares (38,7 milhões de euros) caso os aviões fretados tivessem todos os lugares ocupados. A Ice Air Operations recusa contudo estas críticas, sublinhando que a companhia teria custos adicionais se aguardasse pela lotação dos voos. “Essa medida iria atrasar a expulsão de pessoas para preencher os lugares vazios, o que faria com que houvesse outros custos que podem exceder o custo dos assentos”, diz a companhia à Quartz.

Na terça-feira, o secretário de Segurança Interna norte-americano John Kelly defendeu que “o aumento da imigração ilegal na fronteira sul com o México sobrecarregou as agências e os recursos federais e criou uma significativa vulnerabilidade na segurança nacional dos EUA”, justificando a assinatura de dois memorandos para regulamentar o controlo migratório.

Entretanto, a Casa Branca afirmou que irá anunciar na próxima semana um novo decreto anti-imigração. A ordem executiva surge depois de tribunais terem travado o decreto de Trump, assinado a 27 de janeiro, que proibia a entrada em território norte-americano de qualquer pessoa oriunda de um de sete países de maioria muçulmana e suspendia os programas de acolhimento de refugiados.