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Angola. Luaty Beirão e outros ativistas agredidos em manifestação

Luís Barra

O ativista luso-angolano participava numa manifestação pela demissão de Bornito de Sousa, atual ministro da Administração e do Território e candidato a vice-presidente

“Mais uma vez, a tropa de José Eduardo dos Santos fez o que sabe fazer: agredir e impedir as pessoas de exercerem o seu direito constitucional.” É assim que Luaty Beirão arranca um vídeo publicado nas redes sociais, esta sexta-feira, após participar numa manifestação em Luanda. O ativista luso-angolano conta que foi atacado por dois cães, tendo ficado ferido na mão esquerda. O Expresso sabe que está a ser tratado na Clínica Girassol, onde também recebeu tratamento quando esteve em greve de fome.

Para esta sexta-feira, às 15h (menos uma hora em Lisboa), foi marcada uma “manifestação contra a permanência de Bornito de Sousa”, que é o atual ministro da Administração e Território e que está indicado pelo MPLA como candidato a vice-presidente nas eleições legislativas. O órgão que atualmente tutela está envolvido na organização do processo eleitoral. “Não queremos que Bornito seja árbitro e jogador ao mesmo tempo”, defendem.

Participavam na manifestação dez pessoas, incluindo Dago Nível Intelecto, Cheick Hata (fazia parte do grupo dos 17 ativistas que em 2016 foram presos). Nelson Dibango, que também se encontrava na manifestação, “foi visto altamente ferido e encontra-se em parte incerta”.

“[Os ativistas] foram reprimidos pelos polícias, com agressões corporais por parte dos agentes e de cães”, lê-se na publicação partilhada.

Luaty Beirão foi um dos 17 ativistas detidos em junho de 2015 por estarem juntos a ler e a debater o conteúdo do livro de Gene Sharp “Da Ditadura à Democracia”, tendo sobrevivido a duas greves da fome, uma das quais de 36 dias.

Os jovens foram condenados a penas de prisão efetiva entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses, por atos preparatórios para uma rebelião e associação de malfeitores e libertados a 29 de junho de 2016 por decisão do Tribunal Supremo, que deu provimento ao habeas corpus apresentado pela defesa, pedindo que aguardassem em liberdade o resultado dos recursos da sentença da primeira instância.

Pela primeira vez na história de Angola, após o restabelecimento definitivo da paz, em 2002, e a instauração de eleições multipartidárias, o Presidente José Eduardo dos Santos não será o cabeça da lista do MPLA, no poder, às próximas eleições legislativas, marcadas para agosto.

O novo ciclo que agora se abre faz emergir em definitivo João Lourenço, atual ministro da Defesa enquanto cabeça de lista do partido.