Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

EUA: Polícia começa a fazer detenções entre os manifestantes contra oleoduto do Dakota

TERRAY SYLVESTER/REUTERS

Dezenas de agentes de polícias com equipamento antimotim e 18 elementos da Guarda Nacional (militares da Reserva Territorial) entraram esta quarta-feira no acampamento usado pelos manifestantes para protestar contra o projeto do 'pipeline'

Agentes da polícia do Dakota do Norte e militares da Guarda Nacional daquele Estado norte-americano começaram esta quinta-feira a deter pessoas que se opõem ao projeto do oleoduto Dakota Access e que se recusaram a desmobilizar um protesto.

A maior parte dos manifestantes tinha saído na quarta-feira do acampamento, montado em terrenos do Corpo de Engenheiros do Exército norte-americano, mas alguns ficaram (apesar do risco de cheias por causa da primavera que se aproxima). Os agentes - apoiados por veículos militares e um helicóptero e um avião - começaram a revistar as estruturas do acampamento e a deter as pessoas que encontravam, metendo-as em carrinhas para serem levadas para a cadeia. Desconhece-se, para já, o número de detidos.

O acampamento - conhecido como Oceti Sakowin (e que chegou a ter milhares de manifestantes) - perto da Reserva Índia de Standing Rock tem sido o principal local de protestos (iniciados em Agosto) contra a construção do último segmento de um oleoduto orçado em 3,8 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros).

Os Sioux de Standing Rock e os Sioux de Cheyenne River, cuja reserva fica a jusante do rio, dizem que o 'pipeline' Dakota Access constitui uma ameaça para a sua água potável e para os seus terrenos ancestrais. O operador do oleoduto, a Energy Transfer Partners, contesta essa acusação.

Quando estiver construído, o oleoduto vai canalizar petróleo pelo Dakota do Norte e do Sul e pelo Iowa, até um ponto Illinois onde possa ser metido em navios contentores.

Os anciões das tribos índias disseram à polícia que há pessoas no acampamento dispostas a recorrer a medidas drásticas para ficar no local em protesto. A polícia receia um "cenário pesadelo": um ou vários barricados armados no interior de uma das estruturas do campo. "Estamos a fazer tudo o que podemos para evitar esse tipo de situação", disse o tenente da polícia estadual do Dakota do Norte, Tom Iverson. "Não queremos que isto chegue a um ponto em que se incendeia, mas em algum momento vamos ter de dizer que basta", sublinhou.

Na quarta-feira, pouco do prazo limite para abandonar o campo, cerca de 150 pessoas saíram em coluna do acampamento enlameado, a cantar e a tocar tambores tribais, enquanto carregavam uma bandeira americana propositadamente arvorada ao contrário.