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Yiannopoulos demite-se da “Breitbart News”

LUCAS JACKSON/REUTERS

Numa gravação que já se encontrava na internet há vários anos, mas que só agora ganhou destaque, Yiannopoulos afirma que as relações “entre rapazes jovens e homens mais velhos pode gerar experiências altamente positivas” e que a idade para consentimento sexual “não é uma questão preto no branco”

Milo Yiannopoulos resignou esta terça-feira ao cargo de editor do site de extrema-direita “Breitbart News” devido à polémica sobre os seus comentários, numa gravação ressuscitada há poucos dias na internet, em que parece defender a legalização da pedofilia. Yiannopoulos era editor de tecnologia da publicação fundada por Steve Bannon, o agora conselheiro de Donald Trump no Executivo dos EUA.

Em comunicado, Yiannopoulos explicou que a sua “má escolha de palavras” está a prejudicar os seus colegas de trabalho e que, por essa razão, escolheu demitir-se imediatamente. “Esta decisão é somente minha”, garante, citado pelo “The Washington Post”.

“Gostaria de reiterar a minha absoluta repulsa por adultos que abusam sexualmente de menores”, escreveu numa publicação na sua página de Facebook, negando ter defendido o abuso sexual infantil.

Numa conferência de imprensa esta terça-feira, Yiannopoulos explicou que apenas se havia referido à sua experiência enquanto vítima de abuso sexual infantil. “Ser vítima de abuso de crianças e ao mesmo tempo ser acusado de defender o abuso de crianças é absurdo”.

Esta segunda-feira, a editora Simon & Schuster cancelou a publicação do livro de Yiannopoulos, intitulado “Perigoso”. Também durante a sua conferência de imprensa, Yiannopoulos revelou que outros editores já mostraram interesse em publicar o seu livro e prometeu ainda doar 10% dos lucros do livro para instituições de caridade que apoiam vítimas de abuso sexual infantil.

No mesmo dia, a União Conservadora Americana (ACU) cancelou a presença de Yiannopoulos como orador na conferência (CPAC), um encontro anual da direita conservadora que este ano contará com a participação de Donald Trump. “Por causa da revelação de um vídeo ofensivo nas últimas 24 horas em que [Yiannopoulos] apoia a pedofilia, a União Conservadora Americana decidiu retirar o convite”, anunciou o diretor da organização, que considerou ainda como “insuficiente” a explicação dada por Yiannopoulos para as suas declarações na gravação.

Mas não é a primeira vez que Yiannopoulos causa controvérsia. Acusado de ser um pregador de ódio, já foi banido do Twitter por ter insultado a atriz negra, Leslie Jones, e é criticado por comentários negativos que fez sobre feministas, pessoas transgénero, muçulmanos e ativistas do movimento Black Lives Matter.

  • Milo Yiannopoulos. O agente provocador da era Trump foi ao tapete

    Define-se como um ultraconservador e é definido pelos críticos como um ultraprovocador. Ia participar numa conferência ao lado de Donald Trump mas uma gravação em que parece defender a legalização da pedofilia já levou à retirada do convite e ao cancelamento de um contrato literário para lançar a autobiografia “Perigoso”. Há um mês, a coqueluche da “direita alternativa” já tinha protagonizado um incidente na Universidade de Berkeley; estudantes mobilizaram-se contra a presença de Yiannopoulos no campus e o Presidente Trump, a quem o editor do Breibart chama “papá”, ameaçou cortar o financiamento federal ao estabelecimento por não respeitar “a liberdade de expressão”